Viagem Internacional Atualizado em 09 de agosto de 2026 por Beatriz Lemos

A Grande Muralha Verde registra 1,66 milhão de hectares em restauração no Sahel, segundo relatório da UNCCD. Apesar dos avanços, o balanço aponta limitações no monitoramento e distância entre compromissos e resultados.

Grande Muralha Verde restaura 1,66 milhão de hectares na África, mas relatório aponta lacunas de dados

Cerca de 1,66 milhão de hectares estão em processo de restauração no Sahel, região entre o deserto do Saara e a savana do Sudão. O número é a principal conquista do Acelerador da Grande Muralha Verde, que completou cinco anos e teve relatório apresentado nesta semana pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD).

O balanço também registra 24 milhões de toneladas de CO₂ equivalente sequestradas ou mitigadas, 4,6 milhões de empregos criados e 46 milhões de pessoas diretamente impactadas. Os dados, porém, são considerados iniciais pela própria entidade.

O que é a Grande Muralha Verde e o Acelerador

Criada em 2007 pela União Africana e pela UNCCD, a Grande Muralha Verde reúne 11 países fundadores, numa área de 156 milhões de hectares, do oeste do Senegal ao Chifre da África. O Acelerador, por sua vez, foi lançado em 2021, após a Cúpula One Planet, quando parceiros anunciaram mais de US$ 19 bilhões em compromissos. A estrutura serve para coordenar esforços, acompanhar recursos e medir resultados.

Os números do balanço: avanços e metas

A UNCCD aponta a criação de 4,6 milhões de empregos, contra uma meta de 10 milhões até 2030, e a produção de 2.315 megawatts-hora de energia limpa. A entidade ressalta que a restauração de terras pode levar anos ou décadas para produzir resultados completos e que o levantamento da totalidade dos projetos ainda está em andamento.

O problema da fragmentação de dados

Apesar dos avanços, o relatório alerta para limitações importantes no acompanhamento. O Observatório da Grande Muralha Verde monitora mais de 389 projetos, porém menos de 90 apresentam dados de acordo com os indicadores harmonizados da iniciativa. A distância entre compromissos e resultados continua sendo um desafio, segundo a UNCCD.

Para tentar superar a fragmentação, foi criado em 2024, em Ouagadougou, Burkina Faso, o Observatório da Grande Muralha Verde. A plataforma reúne informações sobre projetos, financiamento e dados geoespaciais, e já foi endossada por dez dos 11 países fundadores.

Dimensão social e próximos passos

O relatório destaca iniciativas de geração de renda para mulheres e capacitação de jovens. No Mali, mulheres receberam equipamentos e ampliaram uma cooperativa de processamento agrícola. No Chade, foram capacitadas para instalar e reparar painéis solares, transformando energia em fonte de renda.

A próxima etapa deve dar peso à comunicação, a mecanismos financeiros inovadores e à gestão transfronteiriça. Entre as possibilidades estão títulos verdes, créditos de carbono e financiamento combinado. Seca e restauração de solos serão temas centrais na COP17 sobre Desertificação, entre 17 e 28 de agosto em Ulaanbatar, na Mongólia.

Perguntas Frequentes

Quantos hectares a Grande Muralha Verde restaurou?

Segundo o relatório da UNCCD, 1,66 milhão de hectares estão em processo de restauração no Sahel.

Quais são os outros números do balanço?

O balanço aponta 24 milhões de toneladas de CO₂ equivalente sequestradas, 4,6 milhões de empregos criados e 46 milhões de pessoas impactadas.

Qual é a meta de empregos até 2030?

A meta é criar 10 milhões de empregos, mas os dados atuais mostram 4,6 milhões.

O que é o Observatório da Grande Muralha Verde?

É uma plataforma criada em 2024, em Burkina Faso, para reunir informações sobre projetos e financiamento, endossada por dez dos 11 países fundadores.

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