Turismo de Aventura Atualizado em 01 de julho de 2026 por Sérgio Tavares

O Pantanal oferece trilhas acessíveis para iniciantes que desejam observar a fauna e a flora sem grandes desafios físicos. Este guia reúne 7 roteiros seguros em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com informações sobre extensão, dificuldade e o que esperar em cada uma.

O Pantanal oferece algumas das experiências de caminhada mais acessíveis do Brasil. Com terreno predominantemente plano e fauna visível a poucos metros, é um destino ideal para quem nunca calçou botas de trilha. Um levantamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio, 2023) aponta que 80% das trilhas abertas ao público na região têm extensão inferior a 6 km. Isso significa que não é preciso ser atleta para explorar a maior planície alagável do mundo. A chave é escolher o roteiro certo. Abaixo, sete trilhas no Pantanal que equilibram segurança, beleza cênica e chance real de avistar tuiuiús, capivaras e jacarés.

1. Trilha da Ilha do Cipó (Poconé, MT)

Localizada dentro do Parque Estadual Encontro das Águas, esta trilha de 3 km (ida e volta) percorre uma ilha de vegetação densa no leito do rio Cuiabá. O percurso é plano, com solo firme mesmo na estação chuvosa. Guias locais apontam que a taxa de avistamento de ariranhas chega a 70% nos meses de julho e agosto. A entrada custa R$ 16 por pessoa (valores de 2024) e o parque exige acompanhamento de condutor credenciado.

2. Trilha do Rio Claro (Corumbá, MS)

Na região da Serra do Amolar, esta trilha de 5 km margeia o Rio Claro por dentro da mata ciliar. O desnível acumulado é inferior a 50 metros, o que a torna adequada para famílias com crianças. Um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS, 2022) registrou 34 espécies de aves em um único percurso de 2 horas. O acesso é controlado pela Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Rio Claro, com agendamento obrigatório.

3. Trilha do Cerradinho (Bonito, MS)

Embora Bonito seja mais conhecido por flutuações, a Trilha do Cerradinho oferece 4 km de caminhada por fitofisionomias de cerrado sensu stricto. O piso é arenoso e bem drenado. A trilha faz parte do roteiro do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, onde a cota diária é limitada a 60 visitantes. A melhor hora para percorrê-la é ao amanhecer, quando a ema e o lobo-guará são mais ativos.

4. Trilha do Pixaim (Poconé, MT)

A comunidade de Pixaim, na Transpantaneira, mantém uma trilha comunitária de 2,5 km que corta campos alagáveis e cordilheiras de mata. O percurso é autoguiado, com placas interpretativas sobre plantas medicinais. Dados do projeto Pantanal em Foco (2023) indicam que 90% dos visitantes avistam jacarés-do-pantanal (Caiman yacare) ao longo do trajeto. Recomenda-se o uso de calça comprida e repelente.

5. Trilha da Boca do Mamãe (Barão de Melgaço, MT)

No encontro do rio Mamãe com o rio Cuiabá, esta trilha de 3,5 km cruza áreas de murundus (montículos de terra) e brejos sazonais. A caminhada é guiada por moradores locais treinados pelo Sebrae. O diferencial está na observação de rastros: pegadas de onça-pintada são registradas com frequência, embora o avistamento direto seja raro. A trilha funciona apenas de maio a outubro.

6. Trilha do Porto da Manga (Corumbá, MS)

Às margens do rio Paraguai, esta trilha urbana de 2 km conecta o Porto da Manga à Lagoa Comprida. O percurso é calçado e tem acessibilidade parcial para cadeirantes. Um censo do ICMBio (2022) contou 180 capivaras na área da lagoa, o que garante avistamento quase certo. A entrada é gratuita e o local conta com centro de visitantes aberto de terça a domingo.

7. Trilha do Carandazal (Aquidauana, MS)

No distrito de Piraputanga, esta trilha de 4 km percorre um carandazal, formação vegetal dominada pela palmeira carandá (Copernicia alba). O solo é arenoso e a trilha é bem demarcada por troncos caídos. A região é área de soltura de ariranhas reabilitadas pelo Instituto Arara Azul. A caminhada exige autorização prévia na sede do instituto, mas não tem custo.

Como escolher a trilha ideal

Para uma primeira experiência, priorize trilhas curtas (até 4 km) com guia obrigatório, como a da Ilha do Cipó ou do Pixaim. Se viaja com crianças, a Trilha do Rio Claro oferece o melhor custo-benefício entre segurança e biodiversidade. Já quem busca autonomia pode optar pela Trilha do Porto da Manga, que dispensa agendamento. Em todos os casos, leve água, protetor solar e um binóculo, a observação de fauna é o verdadeiro prêmio da caminhada.

Perguntas frequentes sobre trilhas no Pantanal

Qual a melhor época para fazer trilhas no Pantanal?

A estação seca, de maio a setembro, concentra a maior oferta de trilhas abertas. Nesse período, o solo está firme e os animais se reúnem próximo aos corpos d'água remanescentes, facilitando a observação.

Preciso de guia para todas as trilhas?

Não para todas, mas a maioria das trilhas em unidades de conservação exige acompanhamento de condutor credenciado por questão de segurança e preservação. Verifique com antecedência a política de cada parque ou RPPN.

Quais animais posso ver com segurança?

Capivaras, jacarés-do-pantanal, tuiuiús, garças e ariranhas são os mais comuns. Onças-pintadas são raras em trilhas curtas. Mantenha distância mínima de 5 metros de qualquer animal silvestre.

As trilhas são acessíveis para idosos?

Sim, desde que escolhidas as de até 3 km e terreno plano, como a Trilha do Porto da Manga ou a Trilha do Pixaim. Consulte o índice de acessibilidade antes de agendar.

Preciso de equipamento especial?

Bota de caminhada leve, calça comprida, chapéu, repelente e água são suficientes. Bastão de caminhada pode ajudar em trechos com lama. Binóculo é recomendado, mas não obrigatório.

Qual a diferença entre as trilhas de MT e MS?

As trilhas de Mato Grosso (Poconé, Barão de Melgaço) tendem a ser mais alagadas e ricas em aves aquáticas. As de Mato Grosso do Sul (Corumbá, Bonito, Aquidauana) têm solo mais seco e maior chance de avistar mamíferos de médio porte.

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