Dicas de Viagem Atualizado em 14 de julho de 2026 por Sérgio Tavares

A tendência de seca nas regiões centrais do Brasil, apontada por modelos climáticos do INMET, pode comprometer o enchimento de grãos da 2ª safra de milho, justamente no período crítico de demanda hídrica.

O monitoramento climático do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indica uma tendência de seca nas regiões centrais do Brasil para o bimestre maio-junho de 2026. Esse cenário preocupa produtores da 2ª safra de milho, que coincide com o estágio de enchimento de grãos, fase de maior demanda por água.

A 2ª safra de milho, ou safrinha, representa cerca de 70% da produção total do cereal no país, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Plantada entre janeiro e março, após a colheita da soja, a cultura depende das chuvas de verão e do início do outono para completar o ciclo. Quando a precipitação fica abaixo da média histórica, o potencial produtivo cai.

Cenário climático e riscos para a safrinha

Os modelos de previsão sazonal do INMET apontam para uma redução de até 30% nas chuvas em relação à média histórica para o Centro-Oeste e parte do Sudeste no período crítico. O déficit hídrico nessa janela pode afetar diretamente o peso dos grãos e a produtividade por hectare.

Impacto no enchimento de grãos

O milho necessita de 450 a 600 mm de água bem distribuídos ao longo do ciclo. Na fase de pendoamento e enchimento de grãos, a necessidade hídrica chega a 7 mm por dia. Se a seca persistir por mais de 10 dias consecutivos, as perdas podem variar de 15% a 40% da produtividade esperada, conforme dados de pesquisa da Embrapa Milho e Sorgo.

Regiões mais vulneráveis

Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e oeste de Minas Gerais concentram a maior área plantada de safrinha. Essas regiões aparecem nos mapas de anomalia de precipitação do INMET como as mais expostas ao risco de seca. O produtor que semeou mais tarde, em fevereiro ou março, enfrenta o período seco justamente na fase crítica.

Estratégias de mitigação

Diante da previsão, o monitoramento de solo e o uso de cultivares de ciclo mais curto são alternativas técnicas. A adoção de sistemas de irrigação suplementar, quando viável, reduz o risco, mas o custo operacional pode inviabilizar a prática em larga escala.

Zoneamento agrícola como guia

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) indica as janelas de plantio com menor probabilidade de perda por seca. Para a safrinha 2026, a recomendação do Ministério da Agricultura é priorizar o plantio até 15 de fevereiro nas regiões centrais, para evitar que o enchimento de grãos coincida com o período seco zoneamento agrícola de risco climático.

Monitoramento e previsão

O INMET atualiza semanalmente os boletins de monitoramento de seca, que podem ser consultados por produtores e técnicos. A previsão para maio e junho de 2026 indica que a tendência de seca nas regiões centrais pode se intensificar, com impacto direto na produtividade da 2ª safra de milho.

Dados de campo

Levantamentos de campo da Conab, divulgados em abril de 2026, mostram que 62% das lavouras de safrinha estavam em boas condições, 28% em condições regulares e 10% em condições ruins, refletindo o início do estresse hídrico em áreas pontuais. A tendência de seca nas regiões centrais pode agravar esse quadro nas próximas semanas.

Perspectivas para a safra 2026

A produção total de milho no Brasil em 2026 está estimada em 112 milhões de toneladas, sendo 78 milhões da 2ª safra (INMET, dados de abril). Se a seca se confirmar, a quebra pode chegar a 15% da safrinha, o que representa cerca de 11,7 milhões de toneladas a menos.

Preços e mercado

Historicamente, episódios de seca na safrinha elevam os preços internos do milho no segundo semestre. Em 2024, a seca no Centro-Oeste elevou o preço da saca em 22% entre junho e setembro tendências de preços do milho 2026. Para o produtor que conseguiu colher, o cenário pode ser positivo; para quem perdeu, o impacto financeiro é severo.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre seca nas regiões centrais e a 2ª safra de milho?

A seca reduz a disponibilidade hídrica no período de enchimento de grãos, comprometendo a produtividade da safrinha.

Como o INMET prevê a tendência de seca?

O INMET utiliza modelos climáticos sazonais que indicam anomalias de precipitação para os próximos meses, atualizados em boletins mensais.

O que o produtor pode fazer para minimizar os impactos?

Adotar cultivares precoces, respeitar o ZARC e monitorar o solo são medidas práticas para reduzir perdas.

A seca já está confirmada para 2026?

A tendência é de seca, mas a confirmação depende da evolução dos sistemas meteorológicos. O INMET recomenda acompanhamento semanal.

Quais regiões são mais afetadas?

Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e oeste de Minas Gerais são as áreas de maior risco, segundo o INMET.

Publicidade

A newsletter de viagem da Eco Pantanal Extremo

Destinos escolhidos a dedo e roteiros sem pressa, no seu e-mail. De graça.

Leia também

Outros destinos da edição

Publicidade