Dicas de Viagem Atualizado em 05 de julho de 2026 por Camila Resende

Quatro em cada 10 brasileiros nunca ouviram falar em economia circular, aponta pesquisa inédita. Entenda o conceito, os dados por trás do desconhecimento e como começar a aplicar na prática.

Quatro em cada 10 brasileiros nunca ouviram falar em economia circular

Quatro em cada 10 brasileiros nunca ouviram falar em economia circular, revela pesquisa do Instituto Akatu em parceria com a Tetra Pak. O dado acende um alerta: o conceito que pode transformar a relação com o consumo e o meio ambiente ainda é desconhecido por uma fatia significativa da população. Nós, que acompanhamos o tema de perto, sabemos que esse desconhecimento não é culpa do brasileiro, é falta de informação acessível.

O modelo de economia circular propõe eliminar o desperdício e manter materiais em uso contínuo, ao contrário da economia linear de 'extrair, usar e descartar'. Enquanto 60% dos brasileiros já ouviram falar do termo, 40% ainda não tiveram contato com ele. O desafio é transformar esse conhecimento em prática.

O que é economia circular e por que ela importa?

A economia circular é um sistema que busca desacoplar o crescimento econômico do consumo de recursos finitos. Em vez de descartar produtos após o uso, ela propõe reparar, reutilizar, remanufaturar e reciclar. O conceito ganhou força com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que completa 15 anos em 2025 e estabelece a logística reversa como obrigação de fabricantes, importadores e comerciantes.

Na prática, isso significa que uma embalagem de papelão, por exemplo, pode voltar à cadeia produtiva como matéria-prima para uma nova caixa. No Brasil, a taxa de reciclagem de resíduos sólidos urbanos ainda é baixa: cerca de 4%, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). A economia circular propõe saltar esse patamar.

Por que 40% dos brasileiros desconhecem o termo?

A pesquisa do Instituto Akatu aponta que o desconhecimento é maior entre pessoas com menor escolaridade e renda. Enquanto 72% dos brasileiros com ensino superior conhecem o termo, esse número cai para 28% entre os que têm até o ensino fundamental. A falta de divulgação em canais acessíveis é um dos motivos.

Nós mesmos já passamos por isso: antes de mergulhar no tema, a ideia de 'economia circular' parecia mais um jargão técnico. Mas, na prática, todo brasileiro já pratica algum princípio circular sem saber. Vender roupas usadas em brechós, consertar um eletrodoméstico em vez de comprar novo ou separar o lixo reciclável são ações circulares.

Como a economia circular já está presente no Brasil?

Apesar do desconhecimento, o Brasil tem exemplos concretos. O programa de logística reversa de embalagens de agrotóxicos, coordenado pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), recicla 94% das embalagens desde 2020. Outro caso é o da reciclagem de latas de alumínio: o país recicla 97% das latas, liderando o ranking global há anos, segundo a Associação Brasileira do Alumínio (Abal).

No setor de moda, marcas como a Malwee e a Renner já adotam programas de reuso e reciclagem de peças. Na tecnologia, a Apple coleta iPhones usados para extrair materiais como ouro e cobre. São iniciativas que mostram que o modelo funciona, mas ainda falta escala.

O que falta para popularizar a economia circular no Brasil?

O principal gargalo é a informação. A pesquisa do Akatu mostra que, entre os que conhecem o termo, apenas 35% sabem explicar o que significa. Isso indica que o conceito chega, mas não é compreendido. Escolas, mídia e campanhas públicas têm um papel central.

Outro ponto é a infraestrutura. A coleta seletiva ainda não chega a 40% dos municípios brasileiros, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Sem coleta adequada, a reciclagem e o reaproveitamento ficam inviáveis para a maior parte da população.

Como aplicar a economia circular no dia a dia?

Não precisa esperar o governo ou as empresas agirem. Pequenas mudanças já fazem diferença:

  • Repare antes de descartar: um sapato com sola solta pode ser consertado por R$ 30, contra R$ 150 de um novo.
  • Compre usado: brechós e plataformas como Enjoei e OLX movimentam bilhões e evitam que roupas virem lixo.
  • Separe o lixo: mesmo onde não há coleta seletiva, levar recicláveis a pontos de entrega voluntária (PEVs) ajuda.
  • Prefira embalagens retornáveis: garrafas de vidro de cerveja, por exemplo, podem ser reutilizadas até 25 vezes.

O papel das empresas e do governo

Empresas têm adotado metas de circularidade. A Natura, por exemplo, usa 100% de plástico reciclado em suas embalagens desde 2023. O governo federal, por meio do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, prevê investir R$ 10 bilhões até 2030 em infraestrutura de reciclagem. Mas a execução ainda é lenta.

Para quem quer se aprofundar, recomendamos guia completo de logística reversa no Brasil e como montar um sistema de coleta seletiva em casa.

Perguntas Frequentes

O que é economia circular em termos simples?

É um modelo que busca eliminar o desperdício, mantendo produtos e materiais em uso pelo maior tempo possível, por meio de reparo, reuso e reciclagem.

Qual a diferença entre economia circular e reciclagem?

A reciclagem é apenas uma etapa da economia circular. O modelo inclui também reduzir o consumo, reparar produtos e reutilizar materiais antes de reciclar.

O Brasil está atrasado na economia circular?

Sim, em comparação com países da União Europeia, que reciclam cerca de 50% dos resíduos. No Brasil, a taxa é de 4%. Mas há exemplos de sucesso, como a reciclagem de latas de alumínio.

Como saber se uma empresa pratica economia circular?

Procure relatórios de sustentabilidade, selos como o 'Circular Economy' da Fundação Ellen MacArthur e informações sobre logística reversa no site da empresa.

Quais os benefícios da economia circular para o consumidor?

Redução de custos com reparos e reuso, menor impacto ambiental e acesso a produtos mais duráveis e com garantia estendida.

Como o governo pode incentivar a economia circular?

Com investimento em coleta seletiva, subsídios para reciclagem, regulamentação de logística reversa e campanhas de educação ambiental.

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