Dicas de Viagem Atualizado em 14 de julho de 2026 por Felipe Akira

Projeções climáticas indicam que o Brasil pode enfrentar até 127 dias de calor extremo por ano até 2075. Baseado em relatórios do IPCC e estudos do INPE, o cenário exige preparo. Veja os números, as regiões mais afetadas e como se adaptar.

As projeções climáticas mais recentes indicam um futuro com calor extremo mais frequente no Brasil. Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), o país pode registrar até 127 dias por ano com temperaturas extremas até 2075, dependendo do ritmo das emissões de gases de efeito estufa. O número representa um salto em relação à média histórica de 7 a 14 dias anuais registrados entre 1981 e 2010 (IPCC, AR6, 2021).

O que dizem as projeções do IPCC

O relatório AR6 do IPCC, publicado em 2021, projeta cenários de aquecimento global com base em diferentes trajetórias de emissões. No cenário mais pessimista (SSP5-8.5), o Brasil teria até 127 dias de calor extremo por ano até 2075. No cenário intermediário (SSP2-4.5), o número cairia para cerca de 60 a 80 dias (IPCC, AR6, 2021). A diferença mostra o peso das políticas de mitigação.

O que é considerado calor extremo

Calor extremo é definido pelo IPCC como dias em que a temperatura máxima ultrapassa o percentil 95 da série histórica local. Ou seja, dias excepcionalmente quentes para cada região. No Brasil, isso significa temperaturas acima de 40°C em várias capitais, como Manaus, Cuiabá e Rio de Janeiro.

Regiões mais afetadas no Brasil

As projeções indicam que as regiões Norte e Nordeste serão as mais impactadas. Um estudo do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) aponta que, no cenário de altas emissões, o Nordeste pode ter até 150 dias de calor extremo por ano até 2075. A Amazônia também sofreria com estresse térmico severo, afetando a biodiversidade e as populações ribeirinhas.

O INPE alerta que, sem redução de emissões, o calor extremo na Amazônia pode se tornar a norma a partir de 2050 (INPE, Relatório de Mudanças Climáticas, 2022).

Impactos na saúde e na vida cotidiana

O calor extremo não é apenas um número. Ele traz riscos diretos à saúde: desidratação, insolação, agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias. A Organização Mundial da Saúde projeta que, até 2030, o Brasil pode registrar cerca de 10 mil mortes anuais atribuíveis ao calor extremo (OMS, 2023). Quem trabalha ao ar livre, como agricultores e operários da construção civil, está mais exposto.

Como se preparar para o calor extremo

Você pode começar a se preparar hoje. Veja medidas práticas:

  • Mantenha-se hidratado: beba água a cada 20 minutos em dias quentes.
  • Evite exposição ao sol entre 10h e 16h.
  • Use roupas leves e chapéu.
  • Instale toldos ou persianas para reduzir o calor interno.
  • Verifique a previsão do tempo pelo site do INMET.

O que esperar para a agricultura e energia

A agricultura brasileira será fortemente impactada. Segundo a Embrapa, a produtividade de soja e milho pode cair até 30% nas regiões Centro-Oeste e Nordeste até 2070 no cenário de altas emissões. Já o setor elétrico enfrentará maior demanda por ar-condicionado e menor capacidade de geração hidrelétrica em períodos de seca.

Perguntas Frequentes

Quantos dias de calor extremo o Brasil tem hoje?

Atualmente, o Brasil registra entre 7 e 14 dias de calor extremo por ano, com base na média de 1981-2010 (IPCC, AR6, 2021).

O que pode ser feito para evitar 127 dias de calor?

Reduzir emissões de gases de efeito estufa é a principal medida. O cumprimento do Acordo de Paris, com metas de redução de CO2, pode manter o aquecimento global abaixo de 2°C e diminuir o número de dias extremos.

Qual a diferença entre calor extremo e onda de calor?

Calor extremo é um dia com temperatura excepcionalmente alta. Onda de calor é uma sequência de pelo menos três dias consecutivos nessas condições, com impacto agravado.

Como saber se minha cidade será afetada?

O INPE disponibiliza mapas interativos de projeções climáticas para municípios brasileiros. Você pode consultar no site do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).

O calor extremo já está aumentando no Brasil?

Sim. Dados do INMET mostram que a frequência de ondas de calor no Brasil triplicou entre 2001 e 2020, comparado ao período 1961-1990 ondas de calor no Brasil INMET 2023.

Quais são os cenários de emissão do IPCC?

O IPCC usa cinco cenários, do SSP1-1.9 (baixas emissões) ao SSP5-8.5 (altas emissões). O número de 127 dias de calor extremo refere-se ao cenário mais pessimista.

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