O serviço Copernicus registrou a menor emissão global de gases por incêndios florestais em 24 anos. Dados do CAMS indicam redução de 18% nas emissões de carbono em 2025, puxadas por mudanças nos padrões climáticos e na gestão de queimadas.
Copernicus: emissão global de gases por incêndios é a menor em 24 anos
O Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS) registrou em 2025 a menor emissão global de gases por incêndios florestais em 24 anos de monitoramento contínuo. As emissões totais de carbono caíram 18% em relação à média do período, com destaque para a redução drástica na Amazônia e na Sibéria, onde os incêndios foram menos intensos devido a condições climáticas mais úmidas.
Queda histórica nas emissões por queimadas
Segundo o relatório anual do CAMS, divulgado em dezembro de 2025, as emissões globais de carbono provenientes de incêndios florestais somaram 1,2 bilhão de toneladas, o menor volume desde o início da série histórica em 2002. O dado representa uma queda de 18% em relação à média de 2002-2024, que era de 1,46 bilhão de toneladas.
O CAMS utiliza dados de satélite do sistema Copernicus, da Agência Espacial Europeia (ESA), para calcular as emissões com base na área queimada e na biomassa consumida pelo fogo. O monitoramento cobre todos os continentes, com resolução diária.
Regiões que puxaram a redução
A redução não foi homogênea. Três regiões concentraram 70% da queda global:
- Amazônia Legal: as emissões caíram 34% em relação à média histórica, passando de 280 milhões para 185 milhões de toneladas de carbono. O dado reflete uma combinação de políticas de controle do desmatamento e um período de chuvas acima da média.
- Sibéria (Rússia): a região registrou a menor temporada de incêndios desde 2010, com emissões 41% abaixo da média. Temperaturas mais amenas no verão e maior umidade do solo reduziram a propagação do fogo.
- Austrália: após os catastróficos incêndios de 2019-2020, o país teve uma temporada de queimadas 28% abaixo da média, com focos concentrados no norte remoto.
Contraste com regiões em alta
Enquanto o globo registrava queda, algumas áreas apresentaram aumento nas emissões. O Canadá, por exemplo, teve a segunda pior temporada de incêndios da história, com emissões 22% acima da média. A Indonésia também registrou alta de 15%, impulsionada por queimadas para expansão agrícola.
Fatores climáticos por trás dos números
O CAMS atribui a queda global a três fatores principais:
- Fenômeno La Niña prolongado: o padrão climático, que se estendeu por 2024-2025, trouxe chuvas acima da média para regiões tropicais, reduzindo a disponibilidade de biomassa seca para queimar.
- Mudanças no uso da terra: na Amazônia, a queda no desmatamento, 19% menor em 2025 ante 2024, segundo dados do INPE, reduziu a área de borda florestal exposta ao fogo. desmatamento na Amazônia em 2025
- Gestão de queimadas: Austrália e Portugal investiram em sistemas de alerta precoce e queimas prescritas, que diminuíram a intensidade dos incêndios de verão.
Impacto na qualidade do ar global
A redução nas emissões teve efeito direto na qualidade do ar. O CAMS estima que a concentração média de material particulado fino (PM2.5) de origem de queimadas caiu 12% em escala global. As maiores melhorias foram registradas na Amazônia e no Sudeste Asiático.
No Brasil, a estação seca de 2025 teve 40% menos dias com níveis de PM2.5 considerados prejudiciais à saúde pela OMS, em comparação com a média de 2020-2024.
O que esperar para 2026
Especialistas do CAMS alertam que a tendência de queda pode não se manter. O La Niña deve dar lugar ao El Niño a partir do segundo semestre de 2026, o que historicamente aumenta a severidade de incêndios na Amazônia e na Indonésia.
Mark Parrington, cientista sênior do CAMS, afirmou em comunicado: "Os dados de 2025 mostram o que é possível quando condições climáticas e políticas de controle convergem. Mas não podemos relaxar: a tendência de longo prazo ainda é de aumento de áreas queimadas em regiões boreais."
Como o CAMS monitora as emissões
O sistema utiliza dados do instrumento MODIS, a bordo dos satélites Terra e Aqua da NASA, e do instrumento SLSTR, do satélite Sentinel-3 da ESA. A cada 6 horas, o modelo calcula a taxa de emissão de carbono, metano e óxidos de nitrogênio para cada ponto de fogo detectado.
A metodologia é validada por medições de campo em 14 regiões-piloto, incluindo a Amazônia e o Pantanal. A margem de erro estimada para as emissões totais é de 15%.
Perguntas Frequentes
O que é o Copernicus?
Copernicus é o programa de observação da Terra da União Europeia, gerido pela Comissão Europeia em parceria com a ESA. O CAMS é um de seus seis serviços temáticos, focado em monitorar a composição da atmosfera.
As emissões por incêndios estão realmente caindo?
Sim, em 2025 elas atingiram o menor nível em 24 anos de monitoramento do CAMS. A queda foi de 18% em relação à média histórica, mas especialistas alertam que o resultado pode ser temporário.
Qual a diferença entre emissão de carbono e CO2?
O CAMS mede a emissão total de carbono (C), que inclui o carbono presente no CO2 e em outros gases como o metano (CH4). Para converter em CO2 equivalente, multiplica-se o valor por 3,67.
Os incêndios no Pantanal foram considerados?
Sim, o Pantanal é monitorado pelo CAMS. Em 2025, as emissões na região ficaram 23% abaixo da média, graças a chuvas intensas no início do ano.
Como os dados do Copernicus são usados no Brasil?
O INPE e o Ibama utilizam os dados do CAMS para prever a dispersão de fumaça e orientar ações de combate a incêndios. O sistema também alimenta modelos de qualidade do ar da CETESB em São Paulo.
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