Cientistas brasileiras desenvolveram um produto biodegradável que promete revolucionar o combate a incêndios florestais. A inovação, feita a partir de resíduos agroindustriais, atua na contenção rápida das chamas, reduzindo danos à fauna e flora. Entenda como funciona e quando es
O fogo avança sem aviso, consumindo hectares de vegetação em minutos. Para quem trabalha com conservação ambiental, cada segundo conta. Agora, um grupo de cientistas brasileiras apresentou uma resposta concreta: um produto biodegradável que age direto na fonte, retardando a propagação das chamas sem agredir o solo.
Pesquisadoras brasileiras desenvolveram um produto biodegradável para conter incêndios florestais, feito a partir de resíduos agroindustriais. O composto forma uma barreira física sobre a vegetação, retardando a propagação do fogo. Testes de laboratório indicam eficácia superior a 80% em áreas de cerrado. A equipe busca parcerias para produção em escala.
Como funciona o produto para conter incêndios florestais
O composto é aplicado como um gel ou spray sobre a vegetação antes ou durante o incêndio. Ele cria uma película fina que isola a planta do oxigênio, cortando o combustível do fogo. Diferente de retardantes químicos tradicionais, a fórmula usa polímeros naturais extraídos de cascas de frutas e bagaço de cana.
Segundo a equipe de desenvolvimento, o produto não contamina o lençol freático nem prejudica microrganismos do solo. Em testes conduzidos em parceria com universidades federais, a degradação completa ocorreu em até 30 dias após a aplicação.
Quem está por trás da inovação
O projeto nasceu no Laboratório de Biopolímeros da Universidade Estadual Paulista (Unesp), sob coordenação da professora Ana Paula de Souza. A equipe conta com seis pesquisadoras, entre químicas, biólogas e engenheiras florestais. O financiamento inicial veio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
A ideia surgiu após a temporada de queimadas de 2024, que devastou mais de 2 milhões de hectares no Pantanal (LASA/UFRJ, 2024). "Precisávamos de uma solução que fosse eficaz e não deixasse resíduos tóxicos", explicou a professora em entrevista ao Jornal da Unesp.
Vantagens em relação aos métodos tradicionais
Os retardantes químicos convencionais, à base de fosfato de amônio, podem acidificar o solo e contaminar nascentes. O produto brasileiro, por ser biodegradável, elimina esse risco. Além disso, o custo de produção é cerca de 30% menor, segundo estimativas da equipe, pois utiliza resíduos que seriam descartados.
- Segurança ambiental: não tóxico para fauna e flora
- Custo reduzido: matéria-prima de baixo valor agregado
- Aplicação versátil: pode ser usado em aeronaves ou com bombas costais
- Degradação rápida: desaparece em semanas sem intervenção
Próximos passos e desafios
O produto ainda está em fase de prototipagem. A equipe busca parcerias com o Corpo de Bombeiros e o Ibama para testes em campo controlado. A meta é registrar a patente até o final de 2026 e iniciar a produção piloto em 2027.
Um dos gargalos é a escala industrial. A produção atual, feita em bateladas de 50 litros, não atende à demanda de grandes incêndios. A startup que nasceu do projeto, a BioFire Tech, negocia com cooperativas de cana-de-açúcar para garantir fornecimento de bagaço.
Como apoiar ou adquirir o produto
Por enquanto, o produto não está disponível comercialmente. Interessados podem entrar em contato com a BioFire Tech pelo site oficial para manifestar interesse. A equipe também aceita doações via programa de crowdfunding da FAPESP.
Para brigadistas voluntários, a recomendação é continuar usando os métodos atuais (abafadores, bombas costais) até que o novo retardante seja aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Perguntas Frequentes
O produto é seguro para animais silvestres?
Sim. Testes iniciais indicam que o composto não causa irritação na pele ou mucosas de mamíferos e aves. A ingestão acidental também não mostrou toxicidade aguda.
Quando estará disponível para compra?
A previsão é 2027, após registro de patente e aprovação regulatória. Acompanhe o site da BioFire Tech para atualizações.
Posso usar em minha propriedade rural?
Ainda não. O produto está em fase de testes controlados. O uso sem autorização pode violar normas ambientais.
O produto funciona em todos os tipos de vegetação?
Testes mostraram eficácia em cerrado e mata atlântica. Para a Amazônia, serão necessários estudos específicos devido à alta umidade.
Como é feito o descarte do produto após uso?
Ele se degrada naturalmente em até 30 dias, sem necessidade de coleta ou remoção.
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