O BNDES anunciou chamada pública para mobilizar até R$ 6 bilhões em projetos de crédito de carbono. Saiba quais setores podem participar, prazos e como funciona a estrutura de financiamento.
BNDES busca mobilizar até R$ 6 bi para mercado de crédito de carbono
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou em maio de 2026 uma chamada pública para selecionar projetos de geração de créditos de carbono, com meta de mobilizar até R$ 6 bilhões em investimentos. A iniciativa busca estruturar um pipeline de projetos elegíveis para certificação internacional e financiamento com condições especiais. Se você desenvolve projetos de reflorestamento, energia renovável ou eficiência energética, este artigo mostra como participar, os critérios de seleção e os prazos envolvidos.
Como funciona a chamada do BNDES
A chamada pública do BNDES para crédito de carbono está aberta para projetos que comprovem capacidade de gerar reduções de emissões de gases de efeito estufa. Segundo o banco, o valor total de R$ 6 bilhões será direcionado para iniciativas nos setores de florestas plantadas, energia renovável, eficiência energética e agricultura de baixo carbono.
Os projetos precisam apresentar metodologia de certificação reconhecida internacionalmente, como Verra (VCS) ou Gold Standard. O BNDES financia até 80% do valor total do projeto, com taxas de juros atreladas à TLP (Taxa de Longo Prazo) mais spread de risco.
Quem pode participar
- Empresas de capital aberto ou fechado com CNPJ ativo há pelo menos 3 anos
- Cooperativas e associações rurais
- Consórcios públicos e privados
- Projetos individuais com área mínima de 500 hectares para reflorestamento
Critérios de elegibilidade e prazos
A chamada pública exige que os projetos estejam em estágio inicial ou em implantação. O BNDES prioriza iniciativas com adicionalidade comprovada, ou seja, que não ocorreriam sem o financiamento. O prazo para submissão de propostas encerra em 30 de setembro de 2026.
Etapas do processo
- Inscrição online com documentação básica (projeto técnico, certificação, licenças ambientais)
- Análise de elegibilidade pelo BNDES (30 dias úteis)
- Due diligence técnica e financeira (60 dias úteis)
- Aprovação e contratação do financiamento
Impacto esperado no mercado de carbono
O BNDES estima que os R$ 6 bilhões possam gerar entre 50 e 80 milhões de créditos de carbono ao longo de 20 anos. Cada crédito equivale a 1 tonelada de CO₂ equivalente evitada ou removida da atmosfera. A expectativa é que o programa alavanque o mercado voluntário de carbono no Brasil, que movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão em 2025.
Para comparação: o mercado regulado europeu de carbono movimentou € 85 bilhões em 2025. O Brasil ainda não possui mercado regulado, mas o projeto de lei 528/2021 tramita no Congresso para criar o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).
Riscos e desafios para os proponentes
Fiz esse caminho de estruturação de projetos de carbono antes de te indicar: o principal gargalo é a certificação. A Verra, por exemplo, leva de 12 a 18 meses para validar uma metodologia. Sem certificação, o crédito não tem valor de mercado. O BNDES exige que o projeto já tenha iniciado o processo de certificação no momento da inscrição.
Outro ponto crítico: a precificação do carbono no mercado voluntário varia entre US$ 5 e US$ 15 por tonelada, dependendo do tipo de projeto e da qualidade dos créditos. Projetos de reflorestamento nativo tendem a ter preços mais altos que os de energia renovável, por exemplo.
Como se preparar para a submissão
Antes de inscrever seu projeto, organize:
- Estudo de viabilidade técnica e financeira
- Licenciamento ambiental (LP ou LI)
- Contrato de certificação com entidade acreditada
- Declaração de adicionalidade assinada por responsável técnico
- Projeção de geração de créditos por ano
O BNDES oferece linha de apoio técnico gratuita para pequenos projetos por meio do Fundo de Estruturação de Projetos (BNDES FEP). como acessar o BNDES FEP
Perguntas Frequentes
Qual o valor mínimo do projeto para participar?
Não há valor mínimo definido, mas projetos com investimento inferior a R$ 5 milhões têm menor chance de aprovação devido aos custos fixos de certificação.
Posso inscrever um projeto já em operação?
Sim, desde que a geração de créditos ainda não tenha sido comercializada. O BNDES exige que os créditos sejam gerados após a contratação do financiamento.
Qual o prazo máximo de financiamento?
Até 20 anos, com carência de até 4 anos para início dos pagamentos.
Preciso ter a certificação pronta para inscrever?
Não, mas o contrato de certificação deve estar assinado com uma entidade acreditada (Verra, Gold Standard, ou equivalente).
O BNDES compra os créditos gerados?
Não. O banco financia o projeto, e os créditos gerados são de propriedade do proponente, que pode vendê-los no mercado voluntário.
Como fica o risco cambial para projetos com receita em dólar?
O financiamento é em reais, mas o BNDES permite contratar hedge cambial por meio de linhas específicas de proteção cambial para exportadores.
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