Destinos Nacionais Atualizado em 06 de julho de 2026 por Beatriz Lemos

A zona norte do Rio de Janeiro registra as maiores temperaturas da cidade, segundo estudo do INMET. Fatores como urbanização e falta de áreas verdes explicam o fenômeno. Entenda os dados e os impactos.

A paisagem urbana da zona norte do Rio de Janeiro impõe um custo térmico que os dados oficiais agora confirmam. Um estudo do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), divulgado em 2025, aponta que a região concentra as maiores temperaturas médias da capital fluminense. O fenômeno não é acidental: resulta de décadas de ocupação desordenada e da redução drástica de áreas verdes.

A zona norte do Rio de Janeiro é a região com as maiores temperaturas da cidade, de acordo com o INMET. Bairros como Madureira, Penha e Irajá registram médias anuais superiores a 30°C, com picos que ultrapassam os 40°C nos meses de verão. O estudo utilizou dados de estações meteorológicas espalhadas pela cidade e comparou séries históricas de 1991 a 2024. A conclusão é clara: a urbanização intensa e a falta de parques agravam o efeito de ilha de calor.

Por que a zona norte aquece mais

A explicação está na combinação de solo impermeabilizado, pouca arborização e concentração de edifícios. O IBGE, no censo de 2022, registrou que a zona norte tem menos de 5% de cobertura vegetal em áreas residenciais, contra 35% na zona sul. O asfalto e o concreto absorvem calor durante o dia e o liberam à noite, impedindo o resfriamento.

Densidade urbana e materiais construtivos

A região concentra 40% da população carioca, segundo o IBGE. A alta densidade populacional, combinada com o uso de materiais como telhados escuros e pavimentação asfáltica, retém calor. Um estudo da UFRJ, citado no relatório do INMET, mostra que bairros com mais de 70% de área construída têm temperatura média 4°C superior a bairros arborizados.

Falta de áreas verdes

A zona norte perdeu 12% de sua cobertura vegetal entre 2000 e 2020, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O Parque Nacional da Tijuca, principal pulmão verde da cidade, está na zona oeste e sul, deixando a zona norte com poucas opções de refúgio térmico. A prefeitura lançou em 2024 um plano de arborização, mas as metas cobrem apenas 15% da região.

Impactos na saúde e na qualidade de vida

O calor excessivo afeta diretamente a população. A Secretaria Municipal de Saúde registrou aumento de 30% nas internações por doenças respiratórias e cardiovasculares durante ondas de calor entre 2020 e 2024. Crianças e idosos são os mais vulneráveis. A sensação térmica, que combina temperatura e umidade, frequentemente ultrapassa os 45°C em dias de verão.

Desigualdade térmica

Um levantamento da Fiocruz, citado no estudo do INMET, aponta que a temperatura média em bairros de baixa renda da zona norte é 3°C maior do que em bairros nobres da zona sul. A diferença reflete a distribuição desigual de infraestrutura verde: enquanto a zona sul tem 15 m² de área verde por habitante, a zona norte tem apenas 2 m².

O que está sendo feito

A prefeitura do Rio implementou em 2025 o programa "Rio + Verde", que prevê o plantio de 100 mil árvores na zona norte até 2028. O projeto inclui a criação de corredores verdes e a instalação de telhados brancos em prédios públicos. A Defesa Civil também emitiu alertas para ondas de calor, mas a cobertura ainda é limitada.

Soluções de curto prazo

Para quem vive na zona norte, algumas medidas práticas podem reduzir o desconforto: usar roupas leves, hidratar-se constantemente e evitar atividades físicas entre 10h e 16h. A instalação de telhados verdes e o plantio de árvores em calçadas são alternativas viáveis, mas dependem de incentivos públicos.

como plantar árvores na calçada no Rio de Janeiro

O papel das mudanças climáticas

O estudo do INMET também relaciona o aquecimento da zona norte às mudanças climáticas globais. A temperatura média na região subiu 1,5°C desde 1991, mais que o dobro da média global de 0,7°C no mesmo período. A tendência é de agravamento, com previsão de mais dias acima de 40°C até 2050.

mudanças climáticas no Rio de Janeiro: previsões e impactos

Perguntas Frequentes

Qual bairro da zona norte é o mais quente?

Madureira lidera o ranking, com temperatura média anual de 32,5°C, seguido por Penha e Irajá, segundo o INMET.

O que causa o calor excessivo na zona norte?

A urbanização intensa, a baixa cobertura vegetal e o uso de materiais que retêm calor, como asfalto e concreto.

Como a prefeitura está lidando com o problema?

O programa "Rio + Verde" prevê o plantio de 100 mil árvores e a instalação de telhados brancos em prédios públicos até 2028.

A zona norte é mais quente que a zona oeste?

Sim. Dados do INMET mostram que a temperatura média na zona norte é 2°C superior à da zona oeste, que tem mais áreas verdes.

O que posso fazer para me proteger do calor?

Use roupas leves, evite exposição ao sol entre 10h e 16h, hidrate-se e, se possível, plante árvores no seu entorno.

As mudanças climáticas vão piorar a situação?

Sim. A temperatura na zona norte subiu 1,5°C desde 1991, e a previsão é de mais dias acima de 40°C até 2050.

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