Destinos Nacionais Atualizado em 05 de julho de 2026 por Beatriz Lemos

A zona norte do Rio de Janeiro registra as temperaturas mais altas da cidade, segundo estudo do INMET. O fenômeno de ilhas de calor, agravado pela urbanização, explica os picos térmicos que superam em até 5°C a média da zona sul. Entenda os dados e as implicações para o planejame

A zona norte do Rio de Janeiro é a região com as temperaturas mais altas da cidade, aponta estudo do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). O fenômeno de ilhas de calor, agravado pela urbanização intensa, faz com que bairros como Madureira e Irajá registrem picos térmicos até 5°C superiores aos da zona sul. A diferença não é apenas estatística: impacta a saúde, o consumo de energia e a qualidade de vida de mais de 3 milhões de moradores.

A zona norte do Rio de Janeiro registra as maiores temperaturas da cidade, segundo estudo do INMET. O fenômeno de ilhas de calor, causado pela alta densidade de concreto e asfalto, eleva os termômetros em até 5°C acima da média da zona sul. Bairros como Madureira, Irajá e Bonsucesso são os mais afetados.

Por que a zona norte é a região mais quente do Rio?

A explicação está na combinação de fatores urbanos e geográficos. A zona norte concentra grandes áreas de concreto e asfalto, que absorvem e retêm calor durante o dia e liberam lentamente à noite. Ao mesmo tempo, a vegetação é escassa: a cobertura arbórea cobre menos de 15% da região, contra mais de 40% na zona sul (dados do IBGE, censo 2022). A ausência de áreas verdes reduz a capacidade de resfriamento por evapotranspiração.

A geografia também contribui. A zona norte está em uma bacia cercada por morros, o que dificulta a circulação de ventos. O ar quente fica retido, formando uma cúpula térmica. Em dias de verão, a sensação térmica pode ultrapassar os 50°C em bairros como Bonsucesso e Penha.

Ilhas de calor: o fenômeno que explica os picos térmicos

Ilhas de calor urbanas são áreas onde a temperatura é significativamente maior do que nas zonas rurais ou arborizadas ao redor. No Rio, a zona norte funciona como uma ilha de calor contínua, com diferenças de até 5°C em relação à zona sul (INMET, 2025). O concreto e o asfalto absorvem radiação solar e a reemitem como calor, aquecendo o ar.

O estudo do INMET analisou dados de 30 estações meteorológicas entre 2015 e 2025. As medições mostram que, durante ondas de calor, a zona norte atinge picos de 42°C, enquanto a zona sul fica em torno de 37°C. A diferença é ainda maior à noite: o calor retido pelo asfalto mantém as temperaturas noturnas acima de 30°C em bairros como Madureira.

Impacto na saúde e qualidade de vida

O calor intenso na zona norte afeta diretamente a saúde da população. Dados da Secretaria Municipal de Saúde indicam que, durante ondas de calor, o número de internações por insolação e desidratação cresce até 30% nos bairros mais quentes ondas de calor e saúde pública. Crianças e idosos são os mais vulneráveis.

O consumo de energia também dispara. Segundo a Light, o uso de ar-condicionado na zona norte aumenta 40% nos meses de verão, pressionando a rede elétrica e elevando a conta de luz para os moradores.

O que o poder público e os moradores podem fazer?

A principal estratégia de mitigação é o aumento da cobertura vegetal. A prefeitura do Rio lançou o programa "Rio Arborizado" em 2024, que prevê o plantio de 500 mil árvores até 2028, com foco na zona norte. Até maio de 2026, 120 mil mudas foram plantadas em bairros como Irajá e Penha arborização urbana no Rio.

Os moradores também podem adotar medidas como telhados verdes, uso de tintas refletivas e instalação de jardins verticais. Em comunidades como o Complexo do Alemão, projetos de telhado verde reduziram a temperatura interna das casas em até 4°C.

Como o turismo sustentável se relaciona com o clima urbano

Para viajantes conscientes, o calor extremo na zona norte é um fator a considerar no planejamento. Visitar bairros como Madureira ou a Penha durante o verão exige preparo: hidratação constante, protetor solar e evitar horários de pico térmico (10h às 16h). Operadoras de turismo local já oferecem roteiros que priorizam áreas sombreadas e horários mais amenos.

O impacto ambiental do turismo também está em jogo. O consumo de energia em hotéis e restaurantes da zona norte cresce com o calor, aumentando a pegada de carbono. Escolher meios de hospedagem com certificação ambiental (como selo ISO 14001) ajuda a reduzir esse impacto.

Perguntas Frequentes

Qual bairro da zona norte é o mais quente?

Estudos do INMET apontam Madureira como o bairro com as temperaturas mais altas, seguido por Irajá e Bonsucesso. Em dias de onda de calor, os termômetros chegam a 42°C.

A zona norte sempre foi mais quente que a zona sul?

Sim, por razões geográficas e urbanas. A zona norte é cercada por morros que retêm o calor, e a urbanização intensa (concreto, asfalto, pouca vegetação) agravou o fenômeno ao longo das décadas.

O que causa a diferença de temperatura entre zona norte e zona sul?

Os principais fatores são a cobertura vegetal (15% na zona norte contra 40% na zona sul), a densidade de concreto e asfalto, e a geografia que dificulta a circulação de ventos.

Como posso me proteger do calor na zona norte?

Hidrate-se constantemente, use protetor solar, evite sair entre 10h e 16h, e prefira roupas leves e claras. Em casa, invista em ventilação cruzada e, se possível, em telhados verdes.

Existem projetos para reduzir o calor na zona norte?

Sim, a prefeitura do Rio tem o programa "Rio Arborizado", que já plantou 120 mil árvores na região. Projetos comunitários de telhados verdes também estão em andamento.

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