Um estudo recente revelou que a zona norte do Rio de Janeiro concentra as maiores temperaturas da cidade. Fatores como urbanização, falta de áreas verdes e topografia explicam o fenômeno.
Zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo
A zona norte do Rio de Janeiro concentra as temperaturas mais altas da cidade, segundo dados de um estudo recente. O fenômeno, associado à urbanização intensa e à falta de áreas verdes, transforma bairros como Madureira, Penha e Irajá em verdadeiras ilhas de calor.
Sim, a zona norte do Rio de Janeiro é a região com as maiores temperaturas da cidade, segundo estudo. Fatores como alta densidade de construções, pouca cobertura vegetal e topografia favorecem a formação de ilhas de calor, elevando os termômetros em bairros como Madureira e Penha.
Por que a zona norte do Rio registra temperaturas mais altas?
O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), analisou dados de satélite e estações meteorológicas entre 2010 e 2020. A conclusão é que a zona norte apresenta, em média, temperaturas 3°C a 5°C superiores às da zona sul e de áreas de floresta, como a Tijuca. O principal fator é a urbanização densa: ruas asfaltadas, prédios e lajes de concreto absorvem calor durante o dia e o liberam à noite, impedindo o resfriamento.
A cobertura vegetal escassa agrava o quadro. Enquanto a zona sul tem praias e parques, e a zona oeste mantém fragmentos de Mata Atlântica, a zona norte perdeu grande parte de suas árvores nas últimas décadas. A topografia também contribui: a região fica em uma bacia cercada por morros, o que dificulta a circulação de ventos e retém o ar quente.
Ilha de calor na zona norte: o que dizem os dados
O termo "ilha de calor" descreve áreas urbanas com temperaturas significativamente mais altas que o entorno rural ou periurbano. Na zona norte, o efeito é mais pronunciado em bairros com alta densidade construtiva e baixa arborização. O estudo da UFRJ mapeou pontos críticos: Madureira, Penha, Irajá e Cascadura aparecem como os mais quentes, com picos que podem ultrapassar 40°C em dias de verão.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mostram que a temperatura média na zona norte é de 28°C, contra 24°C na zona sul e 22°C em áreas florestadas. A diferença aumenta à noite, quando a zona sul esfria mais rápido.
Impactos na saúde e qualidade de vida
As altas temperaturas na zona norte afetam diretamente a população. O calor intenso eleva o risco de desidratação, insolação e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares. Um levantamento da Secretaria Municipal de Saúde do Rio indica que, nos dias mais quentes, os atendimentos de emergência por esses problemas aumentam até 30% em bairros da zona norte.
A falta de áreas verdes também reduz a qualidade de vida. Parques e praças funcionam como "ilhas de frescor", mas na zona norte eles são escassos. Dados da Prefeitura do Rio mostram que a zona norte tem 2 m² de área verde por habitante, contra 12 m² na zona sul e 50 m² na zona oeste.
Medidas para mitigar o calor na zona norte
Especialistas apontam soluções para reduzir as temperaturas na região. A arborização urbana é a principal: plantar árvores em calçadas, praças e canteiros centrais pode reduzir a temperatura em até 3°C localmente. O programa "Rio Árvore" da prefeitura plantou 10 mil mudas na zona norte em 2023, mas o ritmo precisa triplicar para alcançar as metas do Plano de Desenvolvimento Sustentável.
Outras medidas incluem telhados verdes, pavimentos permeáveis e ampliação de parques. A construção de praças com sombra e fontes também ajuda. Em Madureira, um projeto piloto de revitalização da praça principal incluiu 50 novas árvores e reduziu a temperatura local em 1,5°C.
Comparação com outras regiões do Rio
A zona norte não é a única área quente do Rio, mas lidera o ranking. A zona oeste, apesar de ter bairros como Campo Grande e Bangu com temperaturas elevadas, ainda conta com áreas verdes significativas, como o Parque Estadual da Pedra Branca, que funcionam como bolsões de ar frio. Já a zona sul, com praias e o Parque da Tijuca, mantém temperaturas mais amenas.
O centro da cidade, com prédios altos e ruas estreitas, também sofre com ilhas de calor, mas em menor escala. A região portuária, revitalizada nos últimos anos, ganhou áreas verdes e reduziu em 1°C a temperatura local.
O que dizem os moradores
Moradores da zona norte relatam que o calor é constante e intenso. "Aqui em Madureira, o verão é infernal. Não tem sombra em lugar nenhum", diz Maria, 45 anos, comerciante. A percepção popular confirma os dados do estudo, que aponta que a sensação térmica pode ser ainda maior devido à umidade e à poluição.
Perguntas Frequentes
Qual bairro da zona norte é o mais quente?
Madureira lidera o ranking, seguido por Penha, Irajá e Cascadura, segundo o estudo da UFRJ.
Por que a zona norte é mais quente que a zona sul?
A zona norte tem menos áreas verdes, maior densidade de construções e topografia que retém o calor, ao contrário da zona sul, que é banhada pelo mar e tem parques.
O que pode ser feito para reduzir o calor na zona norte?
Arborização, telhados verdes, pavimentos permeáveis e criação de parques são as principais medidas, segundo especialistas.
O calor na zona norte piora a saúde?
Sim, especialmente em dias de pico, com aumento de atendimentos de emergência por problemas respiratórios e cardiovasculares.
O estudo considerou dados de quantos anos?
Foram analisados dados de satélite e estações meteorológicas entre 2010 e 2020.
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