Destinos Nacionais Atualizado em 08 de julho de 2026 por Felipe Akira

A Zona Norte do Rio de Janeiro é a região com as maiores temperaturas da cidade, segundo um estudo recente. O fenômeno está ligado à urbanização intensa e à falta de áreas verdes, com impactos diretos na qualidade de vida dos moradores.

Um estudo recente revelou que a Zona Norte do Rio de Janeiro é a região com as maiores temperaturas da cidade. O levantamento, que analisou dados históricos de estações meteorológicas e imagens de satélite, mostra que bairros como Tijuca, Madureira e Penha frequentemente registram temperaturas mais altas que a média municipal.

A Zona Norte do Rio de Janeiro é a região com as maiores temperaturas da cidade, segundo o estudo. O fenômeno está diretamente ligado à urbanização intensa e à falta de áreas verdes, com impactos diretos na qualidade de vida dos moradores.

Por que a Zona Norte é mais quente?

A principal causa é o chamado efeito de ilha de calor urbana. A Zona Norte concentra grande parte da população e da infraestrutura da cidade, com ruas asfaltadas, prédios e pouca vegetação. Superfícies escuras, como asfalto e telhados, absorvem e retêm mais radiação solar, liberando calor durante a noite.

Segundo o estudo, a temperatura média na Zona Norte pode ser até 3°C mais alta que na Zona Sul, onde há mais parques e áreas arborizadas. A diferença é mais acentuada em dias de verão, quando a sensação térmica ultrapassa os 40°C em bairros como Irajá e Bonsucesso.

O papel das áreas verdes

A falta de áreas verdes é um fator crítico. Enquanto a Zona Sul tem parques como o Flamengo e a Lagoa, a Zona Norte tem menos espaços públicos arborizados. O estudo aponta que bairros com menos de 5% de cobertura vegetal têm temperaturas até 2°C mais altas que aqueles com mais de 20%.

"A arborização urbana é uma ferramenta eficaz para reduzir a temperatura local", afirma o pesquisador responsável. "Cada árvore adulta pode transpirar até 400 litros de água por dia, resfriando o ambiente".

Impactos na saúde dos moradores

O calor excessivo na Zona Norte tem consequências diretas para a saúde. Dados da Secretaria Municipal de Saúde indicam que, em dias de onda de calor, os atendimentos por desidratação e insolação aumentam até 30% na região.

Idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas são os mais vulneráveis. O estudo recomenda que a prefeitura implemente medidas de adaptação, como a criação de corredores verdes e a instalação de coberturas vegetais em prédios públicos.

O que diz o estudo

O levantamento foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Foram analisados dados de 2000 a 2025, incluindo medições de temperatura de 15 estações meteorológicas espalhadas pela cidade.

A pesquisa também usou imagens de satélite para mapear a cobertura do solo e identificar as áreas com maior retenção de calor. Os resultados mostram que a Zona Norte tem uma média de temperatura máxima de 32,5°C no verão, contra 29,8°C na Zona Sul.

Diferenças entre bairros

Dentro da própria Zona Norte, há variações. Bairros mais arborizados, como a Tijuca, têm temperaturas ligeiramente mais baixas que áreas densamente urbanizadas como Madureira e Penha. O estudo destaca que a Tijuca, por estar próxima ao Parque Nacional da Tijuca, se beneficia da massa de ar mais fresca vinda da floresta.

Já bairros como Irajá e Bonsucesso, com menor cobertura vegetal, registram as maiores temperaturas da região. A diferença pode chegar a 1,5°C entre bairros vizinhos.

Medidas para amenizar o calor

A prefeitura do Rio já anunciou um plano de arborização para a Zona Norte, com meta de plantar 50 mil árvores nos próximos cinco anos. O projeto inclui a criação de praças e parques lineares ao longo de rios e canais.

Especialistas defendem que as soluções precisam ser integradas: além de plantar árvores, é necessário reduzir o asfalto, criar telhados verdes em prédios públicos e incentivar a construção de calçadas permeáveis.

"Não adianta plantar árvores se o entorno continuar sendo concreto", alerta um urbanista ouvido pelo estudo. "É preciso repensar o desenho urbano como um todo".

Como se proteger do calor

Para os moradores da Zona Norte, algumas medidas práticas ajudam a enfrentar os dias mais quentes: manter-se hidratado, evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, usar roupas leves e claras, e buscar locais com ar-condicionado ou ventilação natural.

A instalação de cortinas e persianas também reduz a entrada de calor nos imóveis. Em casa, telhados pintados de branco ou com revestimento refletivo podem baixar a temperatura interna em até 3°C.

Perguntas Frequentes

Qual bairro da Zona Norte é o mais quente?

Segundo o estudo, Irajá e Bonsucesso estão entre os bairros com as maiores temperaturas, devido à baixa cobertura vegetal e alta densidade de construções.

A Zona Sul é mais fresca que a Zona Norte?

Sim, a Zona Sul tem temperaturas médias até 3°C mais baixas, graças à maior arborização e à proximidade com o mar.

O que causa o calor excessivo na Zona Norte?

O efeito de ilha de calor urbana, causado pelo asfalto, concreto e falta de áreas verdes, é o principal responsável.

Como a prefeitura pretende resolver o problema?

O plano de arborização prevê o plantio de 50 mil árvores e a criação de parques lineares nos próximos cinco anos.

O calor na Zona Norte afeta a saúde?

Sim, os atendimentos por desidratação e insolação aumentam até 30% em dias de onda de calor, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde.

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