Destinos Nacionais Atualizado em 08 de julho de 2026 por Sérgio Tavares

Um estudo recente revelou que a zona norte do Rio de Janeiro é a região com as maiores temperaturas da cidade. Dados de monitoramento climático indicam que a combinação de urbanização densa e baixa cobertura vegetal eleva o calor local, afetando a biodiversidade urbana.

Um estudo que analisou séries históricas de temperatura na cidade do Rio de Janeiro identificou a zona norte como a região com os maiores registros térmicos. A pesquisa, baseada em dados de estações meteorológicas oficiais, aponta que a combinação de urbanização intensa e redução de áreas verdes cria um microclima local mais quente, com impactos diretos sobre a fauna e a flora urbanas.

A zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo que cruzou informações do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e da Prefeitura do Rio. O levantamento mostra que, nos últimos dez anos, a temperatura média na zona norte superou em até 3°C a média de regiões como a zona sul e a zona oeste. O fenômeno não é apenas estatístico: ele afeta o ciclo de vida de espécies nativas, como aves e pequenos mamíferos, que precisam se adaptar ao calor extremo.

O que diz o estudo sobre as temperaturas na zona norte

A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), utilizou dados de 15 estações meteorológicas espalhadas pela cidade. As medições, feitas entre 2014 e 2024, mostram que a zona norte concentra os picos de calor, especialmente nos bairros de Madureira, Méier e Penha. Segundo o INMET, a temperatura máxima na região já ultrapassou os 40°C em dias de verão. O estudo atribui esse aquecimento à alta densidade de edificações e à baixa cobertura vegetal, que reduzem a capacidade de resfriamento do solo.

Fatores que explicam o calor na zona norte

A urbanização acelerada é o principal fator. A zona norte tem uma das maiores taxas de ocupação do solo da cidade, com poucas áreas de preservação permanente. O monitoramento da Prefeitura do Rio indica que a cobertura vegetal na região caiu 12% entre 2000 e 2020. Sem árvores para sombrear e evaporar água, o calor se acumula. Outro fator é a concentração de vias asfaltadas e telhados escuros, que absorvem radiação solar e a liberam à noite, fenômeno conhecido como ilha de calor urbana.

Impactos do calor extremo na biodiversidade urbana

Cada espécie que vive na zona norte sente os efeitos do calor. Aves como o bem-te-vi e o sabiá-laranjeira, comuns na região, têm alterado seus horários de forrageio para evitar o pico de calor. Um estudo da UFRJ registrou que colônias de saguis (Callithrix jacchus) na Penha reduziram em 30% a atividade ao meio-dia, quando as temperaturas passam dos 38°C. A vegetação também sofre: espécies nativas como a quaresmeira (Tibouchina granulosa) apresentam floração precoce em áreas mais quentes, o que desalinha o ciclo com polinizadores.

Como o monitoramento ajuda a entender o problema

O monitoramento contínuo é essencial para captar essas mudanças. Dados de sensores térmicos instalados em parques urbanos, como o Parque Madureira, mostram que a temperatura do solo pode ser até 5°C mais baixa sob a copa das árvores. A Prefeitura do Rio mantém um programa de arborização que, desde 2021, plantou 15 mil mudas na zona norte. Ainda assim, a meta de cobertura vegetal de 30% por bairro está longe de ser alcançada em regiões como o Jacarezinho e a Maré.

O que a ciência recomenda para reduzir o calor

Pesquisadores sugerem ações combinadas: ampliar áreas verdes, usar materiais refletores em telhados e criar corredores ecológicos que conectem fragmentos de mata. O estudo da UFRJ recomenda que novos empreendimentos na zona norte incluam, no mínimo, 20% de área permeável. Um exemplo bem-sucedido é o Parque Realengo, que reduziu a temperatura local em 2°C após a implantação de um lago e o plantio de 500 árvores.

Experiência de outras cidades

Cidades como São Paulo e Belo Horizonte já adotaram medidas semelhantes. Em São Paulo, a meta de plantar 100 mil árvores em áreas críticas reduziu a temperatura média em 1,5°C em cinco anos. O monitoramento do INMET mostra que bairros com mais de 25% de cobertura vegetal têm temperaturas até 4°C mais baixas que os com menos de 10%. A lição para o Rio é clara: investir em verde urbano é a estratégia mais eficaz contra o calor.

Perguntas Frequentes

Por que a zona norte é mais quente que a zona sul?

A zona sul tem mais áreas verdes, como a Floresta da Tijuca, e maior proximidade com o mar, que regula a temperatura. A zona norte, com urbanização densa e menos parques, retém mais calor.

O que é ilha de calor urbana?

É um fenômeno onde áreas urbanizadas ficam mais quentes que zonas rurais ou verdes ao redor, devido à absorção de calor por concreto e asfalto.

Como a temperatura afeta os animais na cidade?

O calor extremo pode alterar horários de atividade, reduzir a reprodução e forçar espécies a migrar para áreas mais frescas, o que desequilibra o ecossistema local.

Quais bairros da zona norte têm as maiores temperaturas?

Segundo o estudo, Madureira, Méier e Penha lideram os registros, com máximas acima de 40°C em dias de verão.

O que a Prefeitura do Rio está fazendo para reduzir o calor?

A Prefeitura mantém programas de arborização e instalação de telhados verdes em escolas e hospitais, mas a cobertura vegetal ainda é baixa em muitos bairros.

É possível reverter o aquecimento na zona norte?

Sim, com planejamento urbano que priorize áreas verdes, materiais refletores e corredores ecológicos. O estudo mostra que ações locais já reduziram a temperatura em até 2°C.

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