Um estudo do Instituto Pereira Passos (IPP) revelou que a zona norte é a região do Rio de Janeiro com as maiores temperaturas, superando em até 4°C áreas da zona sul. O fenômeno está ligado à urbanização densa, falta de áreas verdes e concentração de concreto e asfalto.
Zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo
A zona norte do Rio de Janeiro concentra as temperaturas mais altas da cidade, com diferença de até 4°C em relação à zona sul, segundo dados do Instituto Pereira Passos (IPP). O fenômeno, conhecido como ilha de calor urbana, é resultado direto da forma como a região foi ocupada ao longo do século XX.
O que diz o estudo do IPP sobre as temperaturas na zona norte
O levantamento do IPP, baseado em imagens de satélite e estações meteorológicas entre 2010 e 2024, mapeou a temperatura de superfície em todos os bairros do Rio. A zona norte aparece consistentemente como o setor mais quente, com médias anuais acima de 28°C em áreas como Madureira, Penha e Irajá. Na zona sul, os termômetros registram médias entre 24°C e 26°C (IPP, 2025).
A diferença não é sazonal. Mesmo no inverno, a zona norte mantém temperaturas mais altas, o que sugere um fator estrutural ligado à ocupação do solo.
Por que a zona norte é mais quente que a zona sul
Três fatores explicam o fenômeno:
- Densidade construtiva: a zona norte tem edificações mais próximas e maior porcentagem de solo impermeabilizado. O concreto e o asfalto absorvem radiação solar durante o dia e a liberam à noite, elevando a temperatura mínima.
- Cobertura vegetal reduzida: enquanto a zona sul mantém maciços florestais como o Parque Nacional da Tijuca e o Jardim Botânico, a zona norte perdeu grande parte de sua vegetação nativa para loteamentos e indústrias. O IPP aponta que bairros com menos de 10% de cobertura vegetal têm temperatura de superfície até 3°C maior que áreas com 30% ou mais.
- Concentração de vias e tráfego: a zona norte concentra as principais vias expressas da cidade, como a Avenida Brasil e a Linha Vermelha. O asfalto escuro e o calor gerado por motores de veículos contribuem para o aquecimento local.
Impactos das temperaturas elevadas na saúde e na qualidade de vida
A Organização Mundial da Saúde (OMS) associa temperaturas acima de 28°C a maior risco de doenças cardiovasculares e respiratórias, especialmente em idosos e crianças. Na zona norte, onde a média anual supera esse limiar, o número de internações por insolação e desidratação cresce em dias de verão ondas de calor e saúde pública no Rio.
Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que, em janeiro de 2024, as unidades de emergência da zona norte atenderam 30% mais casos de mal-estar térmico que as da zona sul, embora os números absolutos não sejam divulgados oficialmente por bairro.
O papel da urbanização na formação de ilhas de calor
O conceito de ilha de calor urbana foi definido pela primeira vez em 1958 pelo climatologista Gordon Manley. Ele descreve a diferença de temperatura entre áreas urbanizadas e rurais ou verdes. No Rio, esse fenômeno é exacerbado pela topografia: a zona norte fica em uma bacia cercada por morros, que dificulta a circulação de ventos e retém o ar quente.
O estudo do IPP confirma que a altitude baixa e a ausência de corredores de ventilação agravam o quadro. Bairros como Cascadura e Engenho de Dentro, em áreas mais planas, registram temperaturas até 5°C maiores que bairros de morro como Santa Teresa, na região central.
Diferenças de temperatura entre bairros da zona norte
O mapeamento do IPP revela variações internas significativas:
- Madureira: temperatura média de superfície de 29,5°C, com picos de 32°C em fevereiro.
- Penha: 28,8°C, com cobertura vegetal de apenas 8%.
- Irajá: 28,5°C, com alta densidade de construções e tráfego intenso.
- Vila Isabel: 26,5°C, beneficiada pela proximidade com a Floresta da Tijuca.
Os dados desmentem a percepção comum de que a zona sul é sempre mais fresca: bairros como Botafogo e Copacabana têm médias entre 25°C e 26°C, mas a diferença para a zona norte é consistente ao longo do ano.
Medidas para reduzir as temperaturas na zona norte
A Prefeitura do Rio lançou em 2024 o programa "Rio Mais Verde", que prevê o plantio de 100 mil árvores até 2026, com foco em bairros da zona norte. O IPP recomenda ainda:
- Criação de corredores verdes ao longo de avenidas como a Avenida Brasil.
- Uso de pavimentos permeáveis e claros em novas obras.
- Incentivo a telhados verdes em prédios públicos e privados.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indicam que a temperatura em áreas com cobertura vegetal acima de 20% pode ser até 2°C menor que em áreas com menos de 5%.
Perguntas Frequentes
Qual bairro da zona norte é o mais quente?
Madureira lidera o ranking, com temperatura média de superfície de 29,5°C, segundo o IPP.
A zona norte é mais quente que a zona oeste?
Sim. A zona oeste, embora tenha bairros quentes como Campo Grande, mantém áreas de preservação ambiental que reduzem a média geral. A zona norte tem a maior média de temperatura entre as regiões da cidade.
O aquecimento global agravou a situação?
O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) projeta aumento de 1,5°C a 2°C na temperatura média global até 2050. No Rio, esse aquecimento se soma ao efeito de ilha de calor urbana, tornando a zona norte ainda mais vulnerável.
O que posso fazer para amenizar o calor em casa?
Plantar árvores no quintal, usar cortinas térmicas e pintar telhados de branco são medidas recomendadas por engenheiros ambientais. O IPP sugere que cada metro quadrado de vegetação pode reduzir a temperatura local em até 0,5°C.
Há previsão de políticas públicas para a zona norte?
Sim. O programa "Rio Mais Verde" prevê plantio de árvores e criação de parques lineares. A prefeitura também estuda a instalação de telhados verdes em escolas da região.
A newsletter de viagem da Eco Pantanal Extremo
Destinos escolhidos a dedo e roteiros sem pressa, no seu e-mail. De graça.