Um estudo do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) aponta que a zona norte do Rio de Janeiro concentra as maiores temperaturas da cidade. A pesquisa analisa dados históricos e fatores como urbanização e relevo para explicar o fenômeno.
A zona norte do Rio de Janeiro concentra as temperaturas mais altas da cidade, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). O estudo, que analisou séries históricas de estações meteorológicas, revela que bairros como Madureira, Irajá e Penha registram médias térmicas superiores às da zona sul e oeste, com diferenças que podem ultrapassar 5°C em dias de verão.
A zona norte do Rio de Janeiro tem maiores temperaturas por uma combinação de fatores. A urbanização densa, com poucas áreas verdes, retém calor. O relevo, cercado por maciços como a Pedra Branca, bloqueia a circulação de ventos marítimos que amenizam outras regiões. O estudo do INMET aponta que a temperatura média na zona norte pode chegar a 30°C em janeiro, enquanto na zona sul fica em torno de 27°C.
O que diz a pesquisa do INMET
O levantamento do INMET utilizou dados de 30 anos, de 1991 a 2020, de estações automáticas e convencionais. A pesquisa mapeou as temperaturas máximas e mínimas de cada região, confirmando que a zona norte é a mais quente. O estudo também correlaciona as temperaturas com a cobertura vegetal: áreas com menos de 10% de cobertura arbórea, como partes da Penha, têm temperaturas até 3°C mais altas que áreas com mais de 30% de cobertura, como a Tijuca.
Fatores que explicam o calor na zona norte
A ilha de calor é o principal mecanismo. A substituição de solo natural por asfalto e concreto aumenta a absorção de radiação solar e reduz a evapotranspiração. O estudo do INMET mostra que a temperatura superficial na zona norte pode atingir 45°C em superfícies pavimentadas, contra 30°C em áreas arborizadas.
A topografia também influencia. A zona norte fica em uma bacia cercada por serras, o que dificulta a dispersão do ar quente. Enquanto a zona sul recebe brisas marítimas do Atlântico, a zona norte sofre com o acúmulo de calor. Esse efeito é mais intenso em dias sem nuvens, comuns no verão carioca.
Impactos das temperaturas elevadas
As temperaturas mais altas na zona norte têm consequências diretas na saúde pública. Dados da Secretaria Municipal de Saúde indicam que, durante ondas de calor, os atendimentos por insolação e desidratação crescem até 40% nessas áreas. O estudo do INMET alerta que, com o aquecimento global, as temperaturas na região podem subir mais 2°C até 2050.
A qualidade de vida também é afetada. Moradores relatam dificuldade para dormir em noites quentes, e o consumo de energia elétrica com ventiladores e ar-condicionado aumenta. Dados da Light mostram que o pico de consumo na zona norte em dias de calor extremo é 20% maior que a média da cidade.
Diferenças entre as regiões do Rio
A zona sul, com mais áreas verdes e ventilação marítima, tem temperaturas mais amenas. A zona oeste, apesar de ter bairros quentes como Santa Cruz, ainda conta com áreas rurais que reduzem a média geral. Já a zona norte, com urbanização consolidada e pouca arborização, concentra o calor de forma mais homogênea.
O estudo do INMET também comparou bairros específicos. Madureira, no coração da zona norte, registrou temperatura média de 29,5°C em fevereiro, contra 26,8°C em Copacabana. A diferença chega a 4°C em dias de pico.
O que pode ser feito
Medidas de mitigação são possíveis. A prefeitura do Rio já implementa programas de arborização, como o "Rio Árvore", que plantou 15 mil mudas na zona norte desde 2023. Telhados verdes e pavimentos permeáveis também ajudam a reduzir a ilha de calor. O estudo recomenda que novas construções na região sigam normas de eficiência térmica.
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Perguntas Frequentes
Por que a zona norte é mais quente que a zona sul?
A zona norte tem urbanização densa, menos áreas verdes e relevo que bloqueia ventos marítimos, criando ilhas de calor.
Qual bairro da zona norte tem a maior temperatura?
Segundo o INMET, Madureira e Irajá estão entre os mais quentes, com médias acima de 29°C no verão.
O estudo do INMET é recente?
A pesquisa foi publicada em 2025 e usou dados de 30 anos (1991-2020), sendo a mais completa sobre o tema.
Como a arborização pode ajudar?
Árvores reduzem a temperatura em até 3°C ao fornecer sombra e liberar umidade por evapotranspiração.
O aquecimento global vai piorar o calor na zona norte?
Sim, o INMET projeta aumento de até 2°C até 2050, intensificando ondas de calor.
Há diferenças dentro da própria zona norte?
Sim, bairros com mais áreas verdes, como a Vila Isabel, têm temperaturas ligeiramente menores que áreas mais densas.
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