Destinos Nacionais Atualizado em 06 de julho de 2026 por Sérgio Tavares

Um estudo recente confirma que a zona norte é a região do Rio de Janeiro com as maiores temperaturas médias. O fenômeno está ligado à urbanização e à falta de cobertura vegetal. Entenda os dados e os impactos para a população.

Zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo

Um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) confirma que a zona norte do Rio de Janeiro é a região com as temperaturas mais altas da cidade. A pesquisa, que cruzou dados de satélite e estações meteorológicas entre 2003 e 2023, mostra que bairros como Madureira e Penha têm temperaturas de superfície até 3°C mais altas que a zona sul. O fenômeno não é aleatório: ele reflete décadas de ocupação urbana e falta de áreas verdes.

A zona norte do Rio de Janeiro é a região com as maiores temperaturas da cidade, aponta o estudo do INPE. Bairros como Madureira, Penha e Irajá apresentam temperaturas médias de superfície que superam em até 3°C as registradas na zona sul, segundo a análise de imagens de satélite entre 2003 e 2023. O levantamento, coordenado pela Divisão de Observação da Terra, comparou a temperatura da superfície terrestre em diferentes regiões da cidade.

Por que a zona norte é a região mais quente do Rio

A explicação está na combinação de três fatores: densidade de construções, baixa cobertura vegetal e relevo. A zona norte concentra áreas densamente urbanizadas, com poucas praças e parques. Enquanto a zona sul tem o maciço da Tijuca e a orla marítima como reguladores térmicos, a zona norte sofre com a retenção de calor pelo asfalto e concreto.

Urbanização e ilhas de calor

O conceito de ilha de calor urbana descreve áreas onde a temperatura é mais alta que o entorno rural ou menos urbanizado. Na zona norte, a substituição de vegetação por asfalto e telhados escuros cria um microclima que retém calor durante a noite. O estudo do INPE aponta que bairros com menos de 10% de cobertura vegetal têm temperaturas de superfície até 2,5°C mais altas que áreas com mais de 30% de cobertura.

Falta de áreas verdes

A distribuição de parques e praças na cidade é desigual. Dados da Prefeitura do Rio indicam que a zona sul tem 18 m² de área verde por habitante, enquanto a zona norte tem 6 m². A diferença se reflete diretamente na sensação térmica: uma árvore adulta pode reduzir a temperatura local em até 2°C por evapotranspiração.

Consequências para a população

As temperaturas mais altas na zona norte não são apenas um dado estatístico. Elas afetam a saúde, o consumo de energia e a qualidade de vida. Em dias de onda de calor, bairros como Madureira e Penha registram temperaturas de bulbo úmido que ultrapassam os limites de segurança para trabalho ao ar livre.

Saúde pública

O aumento da temperatura está associado a maior incidência de doenças cardiovasculares e respiratórias. O monitoramento da Secretaria Municipal de Saúde mostra que, durante o verão, os atendimentos por insolação e desidratação são 40% mais frequentes na zona norte do que na zona sul.

Consumo de energia

A necessidade de refrigeração eleva o consumo de eletricidade. A Light registra que, em janeiro, o consumo médio por residência na zona norte é 25% maior que na zona sul. Isso representa um custo adicional para famílias que já enfrentam desigualdade de renda.

O que pode ser feito?

O estudo do INPE sugere que o plantio de árvores em larga escala e a criação de corredores verdes podem reduzir as temperaturas em até 1,5°C em 10 anos. Iniciativas como o programa "Rio Árvore" da prefeitura buscam aumentar a cobertura vegetal na zona norte, mas o ritmo atual de plantio (cerca de 5 mil árvores por ano) cobre apenas 0,3% do déficit de áreas verdes.

Telhados verdes e pavimentos permeáveis

Soluções como telhados verdes e pavimentos permeáveis também são apontadas como eficazes. O INPE estima que, se 20% dos telhados da zona norte fossem convertidos em cobertura vegetal, a temperatura média da região cairia 0,8°C.

O papel do poder público

A prefeitura do Rio anunciou em 2024 o Plano de Adaptação Climática, que prevê investimentos de R$ 200 milhões em arborização urbana. No entanto, o plano depende de aprovação na Câmara e de recursos federais. O monitoramento do INPE mostra que, sem intervenção, a diferença de temperatura entre zona norte e zona sul pode aumentar 1°C até 2030.

ilhas de calor urbanas no Brasil

Perguntas Frequentes

A zona norte do Rio é mesmo a região mais quente?

Sim, segundo o estudo do INPE, a zona norte registra as temperaturas de superfície mais altas da cidade, com diferença de até 3°C em relação à zona sul.

Por que a zona norte é mais quente que a zona sul?

A combinação de alta densidade urbana, baixa cobertura vegetal e relevo menos ventilado cria um microclima de ilha de calor.

Quais bairros da zona norte são os mais quentes?

Madureira, Penha e Irajá estão entre os bairros com as temperaturas mais altas, segundo o levantamento do INPE.

Como a temperatura afeta a saúde na zona norte?

O calor excessivo aumenta os casos de insolação e desidratação, com atendimentos médicos 40% maiores que na zona sul.

O que está sendo feito para reduzir as temperaturas?

A prefeitura implementou o Plano de Adaptação Climática, com foco em arborização e telhados verdes, mas o ritmo atual de plantio é insuficiente.

Dá para reduzir a temperatura local com ações individuais?

Sim, o plantio de árvores em calçadas e quintais, o uso de telhados claros e a instalação de jardins verticais ajudam a reduzir a temperatura local em até 2°C.

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