Estudo do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) aponta que a zona norte do Rio de Janeiro registra as maiores temperaturas da cidade. Fatores como urbanização densa e falta de áreas verdes explicam o fenômeno, que afeta diretamente a qualidade de vida da população.
A zona norte do Rio de Janeiro concentra as temperaturas mais altas da cidade, de acordo com um estudo do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O levantamento, que mapeou ilhas de calor urbanas, mostra que bairros como Madureira, Méier e Tijuca registram médias térmicas até 3°C superiores às áreas com maior cobertura vegetal, como a zona oeste e a região da Floresta da Tijuca.
O estudo do Inea aponta que a zona norte é região do Rio com maiores temperaturas devido a fatores como alta densidade de construções, pavimentação asfáltica extensa e redução de áreas verdes. Esses elementos criam microclimas que retêm calor durante o dia e liberam lentamente à noite, fenômeno conhecido como ilha de calor urbana.
Como o estudo foi realizado
Pesquisadores do Inea utilizaram imagens de satélite e estações meteorológicas para medir a temperatura superficial em diferentes regiões da cidade entre 2020 e 2024. O mapeamento identificou 12 ilhas de calor, sendo 8 delas na zona norte.
Os dados indicam que a temperatura média na zona norte durante o verão chega a 34°C, enquanto na zona oeste, com mais parques e reservas, fica em torno de 31°C. A diferença se acentua em dias de onda de calor, quando os termômetros podem ultrapassar 40°C em bairros como Irajá e Penha.
Fatores que explicam o calor na zona norte
A urbanização acelerada é o principal motor das altas temperaturas. A zona norte concentra 40% da população do Rio, com densidade de 12 mil habitantes por km², segundo dados do IBGE. Essa ocupação intensa reduziu a cobertura vegetal original a menos de 10% da área.
A impermeabilização do solo com asfalto e concreto também contribui. Materiais como esses absorvem até 90% da radiação solar e a reemitem como calor (IBGE, Atlas de Uso do Solo, 2021).
Outro agravante é a topografia. A zona norte está em uma bacia cercada por morros, o que dificulta a circulação de ventos e retém o ar quente ilhas de calor urbanas.
Impactos na saúde e qualidade de vida
O calor excessivo na zona norte afeta diretamente a saúde da população. Dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que, durante ondas de calor, as internações por desidratação e problemas respiratórios aumentam 25% na região.
Idosos e crianças são os mais vulneráveis. Em bairros como Madureira, onde a temperatura média é mais alta, a taxa de mortalidade por causas relacionadas ao calor é 30% superior à média da cidade, segundo análise do Observatório do Clima do Rio.
Soluções para reduzir as temperaturas
O estudo do Inea sugere medidas para mitigar o calor na zona norte. A principal é aumentar a cobertura vegetal, com plantio de árvores em vias públicas e criação de parques lineares.
A Prefeitura do Rio lançou em 2025 o programa "Rio Mais Verde", que prevê plantar 50 mil árvores na zona norte até 2028. Projeções indicam que, com 30% de cobertura vegetal adicional, a temperatura local pode cair até 2°C.
Outra estratégia é o uso de pavimentos frios, que refletem mais radiação solar. Testes realizados em vias do Méier reduziram a temperatura superficial em 4°C (Inea, Relatório Técnico, 2025).
Perguntas Frequentes
Qual bairro da zona norte tem a maior temperatura?
Madureira lidera o ranking, com média de 35°C no verão, segundo o estudo do Inea.
Por que a zona norte é mais quente que a zona sul?
A zona sul tem mais áreas verdes, como o Parque Nacional da Tijuca, e maior ventilação por estar próxima ao mar, o que reduz as temperaturas.
O que é uma ilha de calor urbana?
É um microclima onde a temperatura é mais alta que nas áreas rurais ou verdes ao redor, causado pela urbanização intensa e falta de vegetação.
Como posso me proteger do calor na zona norte?
Hidrate-se, evite exposição ao sol entre 10h e 16h, e use roupas leves. A Prefeitura recomenda buscar áreas arborizadas, como praças e parques.
O estudo do Inea será atualizado?
Sim, o Inea planeja atualizar o mapeamento a cada dois anos para monitorar mudanças e avaliar o impacto de políticas públicas.
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