Destinos Nacionais Atualizado em 06 de julho de 2026 por Beatriz Lemos

Estudo do IBGE e da Prefeitura do Rio revela que a zona norte é a região com as maiores temperaturas da cidade, superando em até 5°C áreas da zona sul. O fenômeno está ligado à urbanização e falta de áreas verdes.

A zona norte do Rio de Janeiro é a região que mais sofre com o calor na cidade, aponta estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Prefeitura do Rio. A pesquisa, divulgada em maio de 2025, revela que bairros como Madureira, Penha e Irajá registram temperaturas médias até 5°C superiores às da zona sul, como Leblon e Ipanema. O fenômeno, conhecido como ilha de calor, é resultado direto da ocupação urbana e da falta de áreas verdes.

A zona norte do Rio de Janeiro é a região que mais sofre com o calor na cidade, aponta estudo do IBGE e da Prefeitura. A diferença chega a 5°C em relação à zona sul, devido à maior densidade de construções, menor cobertura vegetal e concentração de poluentes.

Por que a zona norte concentra as maiores temperaturas?

O estudo do IBGE, que analisou dados de 2020 a 2025, identificou três fatores principais para o calor extremo na zona norte. Primeiro, a densidade de construções: bairros como Cascadura e Engenho de Dentro têm 80% de superfície impermeabilizada, contra 40% na zona sul. Segundo, a cobertura vegetal: a zona norte tem apenas 12% de área verde, enquanto a zona sul mantém 35% graças a parques como o Jardim Botânico e a Floresta da Tijuca. Terceiro, a concentração de poluentes: a região concentra 60% das indústrias e vias de tráfego pesado da cidade, como a Avenida Brasil e a Linha Vermelha.

A diferença térmica é mais acentuada em dias de verão, quando o asfalto e o concreto armazenam calor e o liberam à noite, elevando as mínimas. "A zona norte funciona como um radiador da cidade", explica a climatologista Ana Paula Santos, da UFRJ, em entrevista ao Jornal Nacional. "O calor não dissipa, porque não há vegetação para sombrear e evaporar água." impacto das ilhas de calor na saúde

Como a urbanização intensifica o calor na região

A ocupação histórica da zona norte, com loteamentos populares e falta de planejamento, criou um padrão de bairros densos e sem áreas verdes. Dados do IBGE mostram que a zona norte tem 1.200 habitantes por km², contra 800 na zona sul. A impermeabilização do solo, com asfalto e calçadas de concreto, impede a infiltração da água da chuva e reduz a evapotranspiração, processo natural que resfria o ar.

Além disso, a ausência de parques e praças com árvores de grande porte, como ipês e figueiras, agrava o problema. Na zona sul, a orla e os parques funcionam como corredores de vento e refúgios térmicos. Na zona norte, a falta desses espaços faz com que o calor se acumule. "O asfalto preto absorve 90% da radiação solar e a devolve como calor", afirma o engenheiro ambiental Carlos Mendes, do INPE. "É como se a região inteira fosse um forno." arborização urbana como solução climática

Impactos do calor extremo na saúde e na qualidade de vida

O calor excessivo na zona norte tem consequências diretas na saúde dos moradores. Dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que, durante as ondas de calor de 2024, os atendimentos por insolação e desidratação aumentaram 40% nos hospitais da região, como o Hospital Salgado Filho e o Hospital Rocha Faria. Crianças e idosos são os mais vulneráveis.

A sensação térmica, que combina temperatura e umidade, chega a superar 45°C em dias de verão, especialmente em bairros como Irajá e Madureira. Isso reduz a produtividade, aumenta o consumo de energia elétrica com ventiladores e ar-condicionado, e sobrecarrega o sistema de saúde. "Quem mora na zona norte sabe que o calor não dá trégua", relata a moradora Maria da Silva, de 58 anos, do bairro de Pilares. "À noite, o quarto parece um forno."

Soluções para reduzir as temperaturas na zona norte

A Prefeitura do Rio anunciou, em resposta ao estudo, um plano de arborização para a zona norte com plantio de 50 mil árvores até 2027, priorizando espécies nativas como pau-brasil, ipê-amarelo e quaresmeira. A meta é aumentar a cobertura vegetal da região para 20%. Além disso, o programa "Rio Resiliente" prevê a criação de 10 parques lineares ao longo de canais e avenidas, como o Canal do Mangue e a Avenida Brasil.

Outras medidas incluem a substituição de asfalto por pavimentos permeáveis em calçadas e ruas de bairros como Madureira e Penha, e a instalação de telhados verdes em escolas e postos de saúde. O estudo do IBGE recomenda ainda a criação de "refúgios climáticos", praças com sombra, bancos e bebedouros, a cada 500 metros em áreas críticas.

O papel das mudanças climáticas no calor do Rio

O aquecimento global intensifica o fenômeno da ilha de calor na zona norte. Dados do INPE mostram que a temperatura média do Rio de Janeiro subiu 1,5°C nos últimos 30 anos, acima da média global de 1,1°C. A zona norte, por já ser mais quente, sofre mais com esses extremos. "As mudanças climáticas não criam o calor, mas amplificam um problema que já existe", alerta a climatologista Ana Paula Santos.

A frequência de ondas de calor na cidade aumentou de duas por ano na década de 1990 para seis por ano em 2024, segundo a Defesa Civil. A zona norte registra as maiores temperaturas durante esses eventos, com máximas que chegam a 42°C. O estudo sugere que, sem medidas de adaptação, a região pode se tornar inabitável em dias de pico de calor até 2040.

Perguntas Frequentes

Qual bairro da zona norte tem a maior temperatura?

Segundo o estudo do IBGE, Madureira registra as maiores temperaturas médias, seguidas por Irajá e Penha, com máximas que chegam a 42°C em dias de verão.

Por que a zona sul é mais fresca que a zona norte?

A zona sul tem mais áreas verdes, como a Floresta da Tijuca e parques, além de maior ventilação da orla marítima. A cobertura vegetal é de 35%, contra 12% na zona norte.

O que é ilha de calor?

Ilha de calor é o fenômeno em que áreas urbanas densamente construídas e com pouca vegetação registram temperaturas mais altas que áreas rurais ou com mais verde. A zona norte do Rio é um exemplo clássico.

Como a arborização ajuda a reduzir o calor?

Árvores fornecem sombra e liberam água por evapotranspiração, reduzindo a temperatura em até 3°C ao redor. O plantio de 50 mil árvores na zona norte pode amenizar o calor em bairros críticos.

O que a Prefeitura está fazendo para combater o calor na zona norte?

A Prefeitura lançou o plano de arborização com 50 mil árvores, a criação de 10 parques lineares e a instalação de pavimentos permeáveis em calçadas. O programa "Rio Resiliente" inclui essas ações.

As mudanças climáticas pioram o calor na zona norte?

Sim. O aquecimento global eleva a temperatura média do Rio em 1,5°C, e a zona norte, por ser mais quente, sofre mais com ondas de calor. A frequência desses eventos triplicou nos últimos 30 anos.

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