Um estudo conjunto da UFRJ e da Prefeitura do Rio de Janeiro identificou a zona norte como a região com as maiores temperaturas médias da cidade. O levantamento, que analisou dados de 2010 a 2025, mostra que bairros como Madureira e Penha registram picos de até 40°C em dias de ve
Zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo
Um estudo coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro aponta que a zona norte concentra as maiores temperaturas da cidade. A pesquisa, que analisou dados de estações meteorológicas entre 2010 e 2025, mostra que bairros como Madureira, Penha e Irajá têm médias anuais até 3°C superiores às registradas na zona sul e em áreas mais arborizadas da zona oeste.
Segundo os pesquisadores, o fenômeno está diretamente ligado à urbanização intensa, à baixa cobertura vegetal e à concentração de superfícies asfaltadas e concreto, que retêm calor. "A zona norte funciona como uma grande ilha de calor, com temperaturas que podem ultrapassar 40°C em dias de verão", afirma a coordenadora do estudo, Dra. Ana Paula Soares, do Instituto de Geociências da UFRJ.
Por que a zona norte é mais quente?
A pesquisa identificou três fatores principais que explicam as temperaturas mais altas na zona norte:
- Densidade urbana: a região tem a maior concentração de edificações e vias pavimentadas da cidade, com baixa permeabilidade do solo.
- Falta de áreas verdes: a cobertura vegetal na zona norte é de apenas 12%, contra 35% na zona oeste e 48% na zona sul, segundo dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
- Relevo e ventilação: a localização entre maciços montanhosos dificulta a circulação de ventos, que ajudariam a dissipar o calor.
O estudo também aponta que a temperatura média anual na zona norte subiu 1,8°C entre 2010 e 2025, ritmo superior ao registrado em outras regiões da cidade.
Bairros mais afetados pelas altas temperaturas
O levantamento mapeou os dez bairros com as maiores médias térmicas. Madureira lidera, com média anual de 28,5°C, seguida por Penha (28,2°C) e Irajá (28,0°C). Outros bairros como Vicente de Carvalho, Vila da Penha e Brás de Pina também aparecem no topo da lista.
Em dias de onda de calor, os termômetros nessas localidades podem chegar a 42°C, especialmente em janeiro e fevereiro. A pesquisa alerta que a sensação térmica, medida pelo índice de calor, pode superar os 45°C devido à umidade do ar combinada às altas temperaturas.
Impactos na saúde e na qualidade de vida
A exposição prolongada a temperaturas elevadas tem consequências diretas para a saúde dos moradores. Dados da Secretaria Municipal de Saúde indicam que, durante os meses de verão, os atendimentos por insolação e desidratação aumentam 40% nas unidades de saúde da zona norte, em comparação com a média anual.
Crianças e idosos são os grupos mais vulneráveis. A pesquisa recomenda a criação de "refúgios climáticos", praças arborizadas e centros de resfriamento, em pontos estratégicos da região.
Soluções propostas pelo estudo
O estudo sugere um conjunto de ações para mitigar o calor na zona norte:
- Plantio de árvores: aumentar a cobertura vegetal para 25% até 2030, com espécies nativas como ipê e quaresmeira.
- Telhados verdes: incentivar a instalação de coberturas vegetadas em edifícios públicos e privados.
- Pavimentos permeáveis: substituir o asfalto convencional por materiais que reduzem a retenção de calor.
- Corredores de ventilação: preservar e ampliar áreas livres que permitam a circulação de ventos.
A Prefeitura do Rio já anunciou que incorporará as recomendações ao Plano de Adaptação Climática da cidade, com previsão de investimento inicial de R$ 50 milhões.
Comparação com outras regiões do Rio
Para contextualizar, a pesquisa compara as temperaturas da zona norte com as demais regiões:
| Região | Temperatura média anual (°C) | Cobertura vegetal (%) | |--------|------------------------------|----------------------| | Zona norte | 27,8 | 12 | | Zona sul | 24,9 | 48 | | Zona oeste | 25,3 | 35 | | Centro | 26,1 | 18 |
Fonte: UFRJ e Prefeitura do Rio
A diferença de quase 3°C entre a zona norte e a zona sul reflete não apenas as condições naturais, mas décadas de desigualdade no planejamento urbano. Enquanto bairros nobres concentram parques e áreas verdes, a zona norte sofre com a impermeabilização do solo e a falta de arborização.
"A zona norte precisa de um choque de infraestrutura verde", defende a Dra. Ana Paula Soares. "Não se trata apenas de conforto térmico, mas de justiça climática."
O que moradores podem fazer?
O estudo também orienta ações individuais para reduzir o calor dentro de casa:
- Pintar telhados de branco ou instalar telhas térmicas pode baixar a temperatura interna em até 4°C.
- Plantar árvores em calçadas e quintais, priorizando espécies de copa larga.
- Usar ventiladores de teto e cortinas blackout para bloquear a radiação solar direta.
A pesquisa completa está disponível no site do Instituto de Geociências da UFRJ estudo completo sobre ilhas de calor no Rio.
Perguntas Frequentes
Qual bairro da zona norte é o mais quente?
Madureira lidera o ranking, com temperatura média anual de 28,5°C, segundo o estudo da UFRJ.
A temperatura na zona norte aumentou nos últimos anos?
Sim. A pesquisa aponta que a média subiu 1,8°C entre 2010 e 2025, ritmo superior ao de outras regiões da cidade.
O que causa as altas temperaturas na zona norte?
A combinação de urbanização densa, baixa cobertura vegetal (12%) e relevo que dificulta a ventilação são os principais fatores.
Há riscos para a saúde?
Sim. A Secretaria Municipal de Saúde registra aumento de 40% nos atendimentos por insolação e desidratação no verão na zona norte.
O que a Prefeitura do Rio pretende fazer?
O município anunciou que vai investir R$ 50 milhões em ações como plantio de árvores e telhados verdes, seguindo as recomendações do estudo.
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