O governo do Rio de Janeiro instituiu um comitê permanente para coordenar ações contra os efeitos do El Niño. A medida, anunciada em maio de 2026, busca reduzir danos em infraestrutura, saúde e turismo, setor que já sente os impactos de eventos extremos.
O governo do Rio de Janeiro criou um comitê permanente para enfrentar os efeitos do El Niño no estado. A medida, anunciada em maio de 2026, prevê ações integradas de monitoramento, prevenção e resposta a desastres, com foco em infraestrutura, saúde e turismo. O comitê reunirá órgãos estaduais e municipais, além de especialistas em climatologia.
O El Niño, fenômeno de aquecimento anormal das águas do Pacífico, provoca alterações no regime de chuvas e temperaturas em todo o Brasil. No Rio de Janeiro, os impactos históricos incluem chuvas intensas e deslizamentos na Região Serrana, além de ondas de calor na capital e na Baixada Fluminense. Segundo o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), o estado registrou em 2024 um aumento de 30% nos eventos climáticos extremos em comparação com a média da década anterior.
O que é o El Niño e como afeta o Rio de Janeiro
O El Niño é um fenômeno climático natural, mas sua intensidade tem sido amplificada pelas mudanças climáticas. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a temperatura média global subiu 1,2°C desde o período pré-industrial. No Rio de Janeiro, os efeitos mais comuns são chuvas torrenciais no verão e estiagens prolongadas no inverno, o que afeta diretamente o abastecimento de água e a agricultura.
Impactos no turismo
O turismo, um dos pilares da economia fluminense, é particularmente vulnerável. A cidade do Rio de Janeiro recebeu, em 2025, 4,7 milhões de turistas estrangeiros, segundo a Secretaria de Turismo. Eventos extremos, como as enchentes de fevereiro de 2024 que interditaram a orla de Copacabana, geram prejuízos estimados em R$ 150 milhões por dia no setor.
As atribuições do comitê
O comitê terá três frentes principais. A primeira é o monitoramento climático, com a instalação de novas estações meteorológicas em áreas de risco. A segunda é a prevenção, com a elaboração de planos de contingência para cada município. A terceira é a resposta rápida, com equipes treinadas para atuar em até 24 horas após um desastre.
A participação da ciência
A medida inclui a parceria com universidades, como a UFRJ e a UFF, para pesquisas aplicadas. O climatologista Carlos Nobre, referência em mudanças climáticas, alertou em entrevista recente que "o Rio precisa se preparar para eventos que antes eram raros e agora se tornam frequentes". A ideia é que o comitê funcione como um observatório permanente.
Desafios e críticas
A criação do comitê é vista com cautela por especialistas. A falta de orçamento específico e a burocracia entre esferas de governo são obstáculos. Em 2023, o estado gastou R$ 1,2 bilhão em ações emergenciais pós-desastres, mas apenas R$ 200 milhões em prevenção. A pergunta que fica é se o comitê conseguirá inverter essa lógica.
O que muda para o turista
Para quem planeja visitar o Rio, a recomendação é acompanhar os alertas meteorológicos. O comitê promete um aplicativo com informações em tempo real sobre condições climáticas e riscos de deslizamento. A medida pode reduzir sustos, mas não elimina a necessidade de cautela, especialmente em temporadas de chuva.
Panorama nacional
O Rio não é o único estado a criar mecanismos de adaptação. São Paulo, Minas Gerais e Bahia também instituíram comitês similares comitês climáticos em estados brasileiros. A diferença é que o Rio concentra um dos maiores patrimônios naturais e urbanos do país, o que eleva o custo de qualquer falha.
Perguntas Frequentes
O comitê já está funcionando?
Sim, foi instituído em maio de 2026 e as primeiras reuniões estão previstas para junho.
Quem coordena o comitê?
A coordenação é da Secretaria de Estado do Ambiente, com participação da Defesa Civil e do INEA.
O comitê tem orçamento próprio?
Ainda não. Os recursos iniciais virão de remanejamento de verbas existentes.
Como o turista pode se proteger?
Acompanhando os alertas oficiais e evitando áreas de risco em dias de chuva intensa.
O comitê substitui a Defesa Civil?
Não. Ele atua como articulador entre órgãos, mas a Defesa Civil mantém suas atribuições operacionais.
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