Mulheres da Amazônia se unem para enfrentar as mudanças climáticas com ações de base. Relatório do IPAM aponta que 80% dos focos de calor em 2025 foram em áreas de pastagem. A luta por justiça climática ganha força nos territórios.
O fogo que consome a Amazônia em 2025 não é acidental: 80% dos focos de calor registrados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) se concentraram em áreas de pastagem, convertidas para pecuária extensiva. Enquanto o desmatamento avança, mulheres indígenas e ribeirinhas se organizam em redes de vigilância e restauração ecológica. A paisagem cobra um preço que poucos veem, os dados de campo desmentem o folder de desenvolvimento sustentável.
Mulheres da Amazônia se unem para enfrentar as mudanças climáticas com ações de base: mapeamento de focos de calor, plantio de agroflorestas e denúncia de crimes ambientais. Segundo o IPAM, a estiagem prolongada de 2024-2025 ampliou em 30% a área queimada em relação à média histórica. Essas lideranças atuam na linha de frente, onde o desmatamento ilegal e a grilagem de terras pressionam os limites da floresta.
O retrato do desmatamento na Amazônia Legal
Dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (PRODES), do INPE, indicam que a taxa de desmatamento em 2024 foi de aproximadamente 6.288 km², uma redução de 30% em relação a 2023. Apesar da queda, o número ainda representa uma área equivalente a quatro vezes a cidade de São Paulo. As queimadas, porém, seguem em alta: o IPAM registrou 23.000 focos de calor entre janeiro e setembro de 2025, concentrados no arco do desmatamento.
Como as mulheres se organizam
As redes de monitoramento territorial, como a Rede de Agroflorestas do Acre, reúnem mais de 200 famílias em sistemas de manejo que sequestram carbono e geram renda. Uma liderança do movimento, citada em relatório do IPAM, afirma: "não somos vítimas, somos guardiãs da floresta". A frase ecoa o que os números mostram: áreas sob gestão comunitária têm 50% menos desmatamento que terras privadas na mesma região.
O papel das políticas públicas
O governo federal lançou em 2025 o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), com meta de desmatamento zero até 2028 PPCDAm metas 2028. A participação feminina nos conselhos gestores, no entanto, ainda é minoritária: apenas 12% dos cargos de decisão em unidades de conservação são ocupados por mulheres. A lacuna de gênero no planejamento ambiental é um ponto cego que os dados expõem.
Queimadas e saúde: o custo humano
A fumaça das queimadas afeta diretamente a saúde das populações locais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a exposição à poluição por queimadas na Amazônia cause cerca de 10 mil mortes prematuras por ano na região. Mulheres grávidas e crianças são as mais vulneráveis. A Rede de Mulheres Indígenas do Xingu monitora a qualidade do ar em 12 aldeias, com dados compartilhados com a Fiocruz saúde e queimadas Amazônia.
Agrofloresta como resposta
O sistema agroflorestal (SAF) é uma das estratégias mais eficazes de mitigação. Cada hectare de SAF sequestra, em média, 3,5 toneladas de carbono por ano, segundo estudo da Embrapa. Mulheres da Cooperativa de Agroflorestas do Pará já recuperaram 500 hectares de áreas degradadas, gerando crédito de carbono e renda para 80 famílias. A escalabilidade do modelo, porém, esbarra na falta de financiamento e assistência técnica.
A resistência no dia a dia
Em Altamira (PA), a Associação de Mulheres do Xingu mantém um viveiro com 50 mil mudas nativas, doadas a pequenos agricultores. O trabalho é manual e contínuo. Uma das coordenadoras relata: "a seca de 2025 matou 30% das mudas, mas a gente replanta". A resiliência é o motor que move a rede.
Perguntas Frequentes
Como as mulheres da Amazônia estão enfrentando as mudanças climáticas?
Elas atuam em redes de monitoramento, agroflorestas e denúncia de crimes ambientais, com foco em restauração ecológica e justiça climática.
Qual o impacto das queimadas na Amazônia em 2025?
O IPAM registrou 23.000 focos de calor até setembro de 2025, com 80% em áreas de pastagem. A estiagem ampliou a área queimada em 30%.
O que são sistemas agroflorestais?
SAFs combinam plantio de árvores nativas com cultivos agrícolas, sequestrando carbono e gerando renda. A Embrapa estima 3,5 tCO2/hectare/ano.
Como apoiar essas iniciativas?
Doações a ONGs como IPAM e ISA, consumo de produtos de cooperativas locais e pressão por políticas públicas de conservação.
O desmatamento está diminuindo na Amazônia?
Sim, caiu 30% em 2024 segundo o PRODES, mas as queimadas seguem em alta, concentradas no arco do desmatamento.
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