Destinos Nacionais Atualizado em 04 de julho de 2026 por Sérgio Tavares

Descubra as principais rotas e meios de transporte para chegar ao Pantanal. Do avião ao carro, passando por ônibus e barcos, este guia cobre os acessos a partir de Cuiabá, Campo Grande e Corumbá, com dicas para cada portão de entrada.

O Pantanal brasileiro cobre uma área de aproximadamente 150.000 km², distribuída entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A escolha do portão de entrada depende do tipo de experiência desejada: a região norte, a partir de Cuiabá, oferece acesso mais rápido a áreas como Poconé e Barão de Melgaço; o sul, partindo de Campo Grande, leva a Corumbá e Aquidauana, com paisagens de campo alagado e maior infraestrutura turística. O monitoramento de fluxo turístico feito pela Embrapa Pantanal (2022) indica que 70% dos visitantes chegam pelo Mato Grosso do Sul, mas o acesso por Mato Grosso é mais curto para quem busca o Pantanal de Poconé. Este guia organiza as opções de transporte e rota para que o leitor possa planejar a viagem com base no ponto de partida, no orçamento e no tempo disponível.

Passo 1: Escolher o portão de entrada

O Pantanal não tem um único ponto de acesso. A região é dividida em três sub-regiões principais, cada uma com sua própria porta de entrada:

  • Pantanal Norte (MT): portão em Poconé (a 104 km de Cuiabá) e Barão de Melgaço. Acesso pela BR-163 e MT-060. Ideal para quem quer chegar rápido à planície alagada.
  • Pantanal Sul (MS): portão em Corumbá (a 428 km de Campo Grande) e Aquidauana. Acesso pela BR-262. Região com maior oferta de pousadas e passeios.
  • Pantanal do Nabileque (MS): portão em Porto Murtinho, mais remoto, acessível pela BR-267. Indicado para viajantes experientes.

Dica: Se o objetivo é ver onças-pintadas, o sul (Corumbá) concentra a maior densidade de avistamentos, segundo o Instituto Onçafari (2023). Para o turismo de pesca esportiva, o norte (Poconé) é mais procurado.

Erro comum: Tentar visitar as duas regiões na mesma viagem sem calcular a distância. De Poconé a Corumbá são aproximadamente 600 km de estrada, boa parte não pavimentada.

Passo 2: Chegar de avião

O meio mais rápido para alcançar o Pantanal é o avião. As duas capitais, Cuiabá (CGB) e Campo Grande (CGR), recebem voos regulares de todo o Brasil. Não há aeroportos comerciais dentro da planície pantaneira.

  • Aeroporto Internacional Marechal Rondon (Cuiabá): recebe voos de Congonhas, Guarulhos, Brasília, Campinas e conexões regionais. A partir de Cuiabá, o deslocamento até Poconé leva cerca de 1h30 de carro.
  • Aeroporto Internacional de Campo Grande: voos diretos de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba. De Campo Grande a Corumbá são 4h30 de carro ou 6h de ônibus.

Dica: Voos para Cuiabá costumam ser mais caros que para Campo Grande, mas reduzem o tempo de estrada. A Gol e a Azul operam a maioria das rotas; a Latam tem presença menor.

Erro comum: Comprar passagem para Corumbá (CMG), o aeroporto local recebe apenas voos da Azul Conecta, com frequência reduzida e preços elevados. A opção mais confiável é voar até Campo Grande e seguir de carro ou ônibus.

Passo 3: Chegar de carro

Dirigir até o Pantanal é viável para quem tem veículo próprio ou aluga um. As rodovias federais são as principais vias de acesso:

  • De São Paulo a Corumbá (1.200 km): BR-262 até Campo Grande, depois BR-262 até Corumbá. Pavimentação boa até Aquidauana; o trecho final, entre Aquidauana e Corumbá, tem 200 km de asfalto em condições regulares.
  • De São Paulo a Cuiabá (1.600 km): BR-163 até Rondonópolis, depois BR-364 até Cuiabá. Estrada de pista simples, com pedágios e trechos de obras.
  • De Brasília a Cuiabá (1.100 km): BR-060 e BR-163, rota mais curta para o Pantanal Norte.

Dica: Alugar um carro 4x4 é recomendado para quem pretende explorar estradas não pavimentadas, como a Transpantaneira (MT-060) e a Estrada Parque (MS-184). Carros de passeio comuns enfrentam dificuldades em época de chuva (novembro a março).

Erro comum: Subestimar a distância entre cidades. Abasteça sempre que possível, postos são escassos entre Aquidauana e Corumbá e entre Poconé e Porto Jofre.

Passo 4: Chegar de ônibus

Para quem não dirige, o ônibus é a alternativa mais econômica. As empresas que operam linhas regulares para o Pantanal:

  • Para Cuiabá: Andorinha, Roderotas e Viação Ouro e Prata partem de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A viagem de São Paulo a Cuiabá dura cerca de 20 horas.
  • Para Campo Grande: Viação Motta, Expresso Adamantina e Viação São Luiz. De São Paulo a Campo Grande são aproximadamente 14 horas.
  • De Campo Grande a Corumbá: a Viação Motta opera linha direta, com duração de 6h30. O ônibus sai da rodoviária de Campo Grande três vezes ao dia.
  • De Cuiabá a Poconé: a Viação Novo Horizonte faz o trajeto em 2 horas, com saídas a cada 2 horas.

Dica: Compre passagens com antecedência em feriados e na alta temporada (julho e agosto). A demanda por ônibus para Corumbá cresce 40% nesses períodos, conforme dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT, 2023).

Erro comum: Acreditar que é possível chegar de ônibus até pousadas no interior do Pantanal. O transporte público cobre apenas as cidades-sede; o deslocamento até fazendas e hotéis-fazenda exige táxi, transfer ou carro alugado.

Passo 5: Usar transporte local (barcos e voadeiras)

Dentro do Pantanal, o transporte é predominantemente fluvial. As voadeiras (barcos de alumínio com motor de popa) são o meio mais comum para deslocamento entre pousadas e pontos de observação.

  • De Corumbá para o Porto Geral: voadeiras partem diariamente para o Porto Geral, a 30 minutos de barco. O trajeto custa entre R$ 30 e R$ 50 por pessoa (2024).
  • De Poconé para o Porto Jofre: a Transpantaneira termina no Porto Jofre, de onde saem barcos para o Rio Cuiabá. O acesso é por estrada, não por água.
  • De Aquidauana para o Rio Aquidauana: voadeiras operam a partir do centro da cidade, com passeios de 2 a 4 horas.

Dica: Negocie o preço da voadeira com o barqueiro antes de embarcar. Valores variam conforme a distância e o número de passageiros. Em época de cheia (janeiro a março), o nível da água permite navegar por áreas mais distantes.

Erro comum: Não levar protetor solar e água suficiente. As viagens de barco podem durar horas sob sol intenso, e não há pontos de parada com infraestrutura.

Checklist rápido

Antes de sair de casa, confira:

  • [ ] Definiu o portão de entrada (norte ou sul) com base no objetivo da viagem.
  • [ ] Reservou voo ou passagem de ônibus com antecedência, especialmente em alta temporada.
  • [ ] Verificou a necessidade de veículo 4x4 para estradas não pavimentadas.
  • [ ] Abasteceu o carro antes de sair das cidades-sede.
  • [ ] Levou protetor solar, repelente e água para deslocamentos de barco.
  • [ ] Confirmou a disponibilidade de transfer ou táxi para a pousada final.

FAQ

Qual a melhor época para chegar ao Pantanal?

A estação seca (abril a outubro) é a mais indicada para acesso terrestre, com estradas em melhores condições e menor risco de alagamento. Na cheia (novembro a março), o barco se torna o principal meio de transporte, e algumas pousadas ficam inacessíveis por terra.

É possível chegar ao Pantanal de trem?

Não há linha de trem que chegue ao Pantanal. A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) passou por Corumbá até 1996, mas o transporte ferroviário de passageiros foi desativado. Hoje, a ferrovia é usada apenas para carga.

Quanto tempo leva para chegar ao Pantanal de São Paulo?

De avião: 2h30 até Campo Grande ou Cuiabá, mais 1h30 a 4h30 de estrada. De carro: 14 a 20 horas de direção, dependendo do destino final. De ônibus: 14 a 20 horas até a capital, mais conexão local.

Preciso de visto para visitar o Pantanal?

Não. O Pantanal é território brasileiro, e turistas nacionais ou estrangeiros com visto válido para o Brasil não precisam de autorização especial. Estrangeiros de países do Mercosul entram com RG.

Qual o custo médio de transporte para o Pantanal?

Passagem aérea de São Paulo para Cuiabá ou Campo Grande: entre R$ 400 e R$ 1.200 (2024). Ônibus de São Paulo a Cuiabá: cerca de R$ 200. Aluguel de carro 4x4: a partir de R$ 150 por dia. Voadeira: R$ 30 a R$ 100 por pessoa.

Posso chegar ao Pantanal de bicicleta ou a pé?

Sim, mas com planejamento. A Transpantaneira e a Estrada Parque são percorridas por ciclistas, especialmente na seca. É necessário levar água, comida e equipamento de camping, pois não há infraestrutura ao longo do caminho.

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