Destinos Nacionais Atualizado em 10 de julho de 2026 por Sérgio Tavares

Dados do sistema Deter, do INPE, indicam que os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 35% em junho de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025. A redução reflete ações de fiscalização e mudanças no uso da terra.

Os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 35% em junho de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A área sob alerta foi de 450 km², contra 692 km² em junho de 2025. A queda é a maior já registrada para o mês desde o início da série histórica, em 2016.

Em junho de 2026, os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 35% em relação a junho de 2025, segundo o sistema Deter, do INPE. A área sob alerta foi de 450 km², contra 692 km² no mesmo mês do ano anterior. A redução é a maior desde o início da série histórica, em 2016.

O que dizem os dados do Deter

O sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) é operado pelo INPE e emite alertas diários com base em imagens de satélite. Em junho de 2026, a área sob alerta somou 450 km², uma redução de 35% frente aos 692 km² registrados em junho de 2025. A queda é a mais expressiva para o mês desde 2016.

Os dados do Deter servem como alerta precoce e orientam ações de fiscalização do Ibama e da Polícia Federal. Eles não representam a taxa oficial de desmatamento, que é calculada anualmente pelo sistema Prodes, com maior precisão. Ainda assim, a tendência de queda nos alertas é um indicador positivo.

Por que os alertas caíram tanto?

A redução de 35% tem causas múltiplas. O monitoramento mostra um quadro mais delicado: cada espécie sustenta o equilíbrio do bioma, e a pressão sobre a floresta diminuiu em áreas críticas. Especialistas apontam três fatores principais:

  • Fiscalização intensificada: o Ibama realizou operações em 12 municípios com maior histórico de desmate, com uso de imagens de satélite de alta resolução e inteligência artificial.
  • Mudanças no uso da terra: a queda nos preços de commodities como a soja e a carne bovina reduziu o incentivo econômico para abrir novas áreas.
  • Efeito sazonal: junho é tipicamente um mês de menor desmate, pois o início do período seco ainda não favorece queimadas em larga escala.

O pesquisador Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), afirmou em entrevista ao jornal O Eco que "a queda nos alertas é consistente com a redução de focos de calor e com a maior presença de órgãos de controle na região".

Comparação com meses anteriores

Em maio de 2026, os alertas somaram 520 km², um aumento de 8% em relação a maio de 2025. A queda de junho, portanto, representa uma reversão da tendência de alta observada no mês anterior. No acumulado do primeiro semestre de 2026, a área sob alerta é de 2.800 km², contra 3.100 km² no mesmo período de 2025, uma redução de 10%.

A série histórica do Deter mostra que junho de 2026 teve o menor valor para o mês desde 2021, quando foram registrados 380 km². Em 2022, junho teve 540 km²; em 2023, 480 km²; e em 2024, 620 km². A média para o mês entre 2016 e 2025 é de 580 km².

O que significa para a conservação da Amazônia

Cada espécie sustenta o equilíbrio do bioma. A queda nos alertas de desmatamento reduz a perda de habitat para espécies como a onça-pintada, a ariranha e o macaco-aranha. A manutenção da cobertura florestal é essencial para o regime de chuvas e para o sequestro de carbono.

No entanto, o dado não significa que a pressão sobre a floresta acabou. O desmatamento acumulado nos últimos cinco anos ainda é alto: entre 2021 e 2025, a Amazônia perdeu 35.000 km² de floresta, área equivalente ao estado do Rio de Janeiro. A queda de 35% em junho de 2026 é uma boa notícia, mas o ritmo de desmate ainda preocupa.

Como os alertas são gerados

O Deter utiliza imagens dos satélites CBERS-4A e Amazonia-1, com resolução de 8 a 64 metros. O sistema detecta áreas com mais de 1 hectare de desmate e emite alertas em até 48 horas após a passagem do satélite. Os dados são públicos e podem ser acessados no site do INPE como funciona o sistema Deter.

A taxa oficial de desmatamento, medida pelo Prodes, é divulgada anualmente em novembro. O Prodes utiliza imagens de satélite com resolução de 30 metros e analisa o período de agosto a julho. A expectativa é que a taxa de 2026, a ser divulgada em novembro, reflita a tendência de queda observada nos alertas.

Perguntas Frequentes

O que é o sistema Deter?

O Deter é um sistema de alerta do INPE que detecta desmatamento em tempo real, com base em imagens de satélite. Ele emite alertas diários que orientam ações de fiscalização.

Qual a diferença entre Deter e Prodes?

O Deter é um alerta precoce, com dados diários e menor precisão. O Prodes é a taxa oficial de desmatamento, calculada anualmente com imagens de satélite de maior resolução.

Quanto desmatamento foi registrado em junho de 2026?

Foram 450 km² de área sob alerta, uma queda de 35% em relação a junho de 2025, segundo o INPE.

Por que o desmatamento caiu em junho de 2026?

A queda é atribuída à intensificação da fiscalização, à redução dos preços de commodities e ao efeito sazonal do período seco.

Onde consultar os dados do Deter?

Os dados são públicos e podem ser acessados no site do INPE, na seção "Monitoramento da Floresta Amazônica".

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