Destinos Nacionais Atualizado em 07 de julho de 2026 por Beatriz Lemos

Das portas de entrada oficiais aos refúgios menos conhecidos, as cidades base do Pantanal definem o ritmo da expedição. Corumbá, Aquidauana, Cáceres: cada uma impõe um custo, uma logística e um tipo de contato com o bioma.

As portas de entrada do Pantanal não são meros pontos no mapa, são filtros que determinam o custo, o tempo de deslocamento e o tipo de experiência. O biógrafo de campo, no entanto, registra um abismo entre o que os folders prometem e o que cada cidade base entrega. Abaixo, as oito cidades que servem de partida para expedições, ordenadas por relevância logística e acesso a áreas de conservação.

1. Corumbá (MS)

Capital do Pantanal sul-mato-grossense, Corumbá concentra a maior oferta de infraestrutura hoteleira e voos regulares (a partir de Campo Grande e São Paulo). A 400 km de Campo Grande, a cidade é porta de entrada para o Pantanal do Abobral e a Estrada Parque. Em 2023, o aeroporto local recebeu 12% mais passageiros que no ano anterior, segundo dados da Infraero, reflexo do turismo de observação de aves. Mas a paisagem cobra um preço: a estação seca (maio a outubro) concentra 90% dos visitantes, enquanto a cheia isola fazendas e pousadas.

2. Aquidauana (MS)

A 140 km de Campo Grande, Aquidauana oferece acesso rápido à Serra da Bodoquena e ao Pantanal do Nabileque. O rio Aquidauana é cenário para safáris fluviais, e a cidade mantém uma rede de pousadas comunitárias geridas por ribeirinhos, alternativa que foge do turismo de massa. O dado de campo: durante a cheia, o acesso a algumas comunidades é feito apenas de barco, o que reduz a oferta de passeios terrestres.

3. Cáceres (MT)

No Mato Grosso, Cáceres é a principal base para o Pantanal Norte, especialmente a região do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense. A cidade sedia o Festival Internacional de Pesca Esportiva, que em 2024 atraiu 30 mil visitantes. A logística, porém, é mais cara: voos para Cáceres são escassos, e o translado de Cuiabá (220 km) consome três horas de estrada em trechos de pista simples.

4. Poconé (MT)

Poconé é a porta da Transpantaneira, a estrada de terra que corta 145 km de Pantanal até Porto Jofre. A cidade não tem aeroporto, mas fica a 100 km de Cuiabá. A Transpantaneira é o melhor corredor para avistar onças-pintadas na estação seca, em 2023, o Instituto Onça-Pintada registrou 48 avistamentos em um único mês. O problema: a poeira no período seco e os atoleiros na chuva transformam o trajeto em prova de resistência.

5. Miranda (MS)

Miranda, a 200 km de Campo Grande, é base para o Pantanal do Miranda e o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro. A cidade mantém um perfil mais rústico, com pousadas familiares e baixo fluxo turístico. A vantagem: o Rio Miranda oferece um dos melhores cenários para observação de ariranhas e capivaras em ambiente natural. A desvantagem: a oferta de alimentação fora das pousadas é limitada a dois restaurantes no centro.

6. Coxim (MS)

Conhecida como portal do Pantanal Norte de MS, Coxim fica na confluência dos rios Taquari e Coxim. A cidade é ponto de partida para expedições de pesca esportiva e flutuação. O dado concreto: a vazão do Rio Taquari caiu 40% entre 2010 e 2023, segundo medições da ANA, o que reduziu a janela de navegação para barcos de médio porte.

7. Barão de Melgaço (MT)

A 120 km de Cuiabá, Barão de Melgaço é a base menos conhecida, mas essencial para quem busca o Pantanal de águas claras da região do Rio Cuiabá. A cidade tem vocação para o ecoturismo de baixo impacto, com trilhas monitoradas por guias locais. O dado que desmente o folder: a infraestrutura hoteleira resume-se a três pousadas, e o sinal de celular é intermitente, o que para alguns é atrativo, para outros, um risco.

8. Porto Jofre (MT)

Porto Jofre não é cidade, mas um distrito de Poconé que merece menção pela concentração de pousadas e pelo acesso ao Rio Cuiabá, epicentro dos safáris de onça. Em 2023, o distrito recebeu 15 mil visitantes, segundo a Secretaria de Turismo de MT. A restrição: não há posto de combustível nem hospital; qualquer emergência exige translado de duas horas até Poconé.

Qual cidade base escolher?

Para safári de onça, Porto Jofre ou Poconé. Para estrutura urbana e voos, Corumbá. Para baixo custo e imersão comunitária, Aquidauana ou Miranda. Para pesca esportiva, Cáceres ou Coxim. O viajante consciente verifica a estação antes de reservar: na cheia (novembro a março), o Pantanal Norte é mais acessível por barco; na seca, o Sul oferece melhores estradas e avistamentos.

FAQ

Qual a melhor cidade para base no Pantanal?

Corumbá (MS) é a mais estruturada, com aeroporto, hotéis e voos regulares. Para safári de onça, Porto Jofre (MT) e Poconé (MT) são superiores.

Quantos dias ficar em cada cidade base?

O mínimo recomendado é de 3 dias para cada base: 1 para translado, 2 para expedições. Para safári de onça, 5 dias aumentam a chance de avistamento.

É possível visitar o Pantanal sem carro?

Sim, mas a locomoção é limitada. Corumbá e Cáceres têm voos regulares; de lá, é preciso contratar transfer ou passeios com agências locais.

Qual a diferença entre Pantanal Norte e Sul?

O Pantanal Norte (MT) é mais alagado na cheia e tem mais onças; o Sul (MS) tem mais infraestrutura e acesso por estrada pavimentada.

Quando ir para cada cidade base?

De maio a outubro (seca) para safári terrestre em Corumbá, Poconé e Porto Jofre. De novembro a março (cheia) para navegação em Cáceres e Barão de Melgaço.

Cidades base têm risco de queimadas?

Sim, especialmente na seca. Em 2024, Corumbá e Poconé registraram focos ativos em julho. Verifique o monitoramento do INPE antes de planejar a viagem.

Publicidade

A newsletter de viagem da Eco Pantanal Extremo

Destinos escolhidos a dedo e roteiros sem pressa, no seu e-mail. De graça.

Leia também

Outros destinos da edição

Publicidade