Destinos Nacionais Atualizado em 10 de julho de 2026 por Sérgio Tavares

O Pantanal abriga centenas de espécies vegetais com potencial medicinal. Este guia lista 12 plantas nativas da região, com usos tradicionais validados pela etnobotânica e dicas de aplicação segura.

O Pantanal, com sua rica biodiversidade, é fonte de dezenas de plantas utilizadas há séculos por comunidades ribeirinhas e indígenas para tratar enfermidades. Um levantamento da Embrapa Pantanal (2019) catalogou ao menos 50 espécies nativas com uso medicinal registrado. A seguir, conheça 12 dessas plantas, seus usos tradicionais e o que a pesquisa científica aponta sobre cada uma.

1. Erva-de-bugre (Cordia ecalyculata)

Popular na medicina caseira para auxiliar na perda de peso, a erva-de-bugre tem ação diurética e termogênica leve. Estudos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (2020) indicam que o chá das folhas também é usado para combater celulite e reter líquidos. Deve ser consumida com moderação, pois doses altas podem causar taquicardia.

2. Carqueja (Baccharis trimera)

Amarga e eficaz, a carqueja é uma das plantas mais usadas no Pantanal para problemas digestivos. O chá das partes aéreas estimula a produção de bile e alivia azia, má digestão e prisão de ventre. Pesquisas da Fiocruz (2018) confirmam atividade hepatoprotetora e anti-inflamatória.

3. Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia)

Conhecida por proteger a mucosa gástrica, a espinheira-santa é indicada para gastrite e úlcera. Estudos clínicos da Universidade de São Paulo (2017) demonstraram que o extrato das folhas reduz a acidez estomacal sem os efeitos colaterais de antiácidos sintéticos. O chá deve ser preparado por infusão, nunca fervido.

4. Aroeira (Myracrodruon urundeuva)

A casca da aroeira tem ação adstringente e cicatrizante. No Pantanal, é usada em banhos de assento para hemorroidas e em bochechos para aftas. Pesquisadores da Embrapa (2021) isolaram compostos com atividade antimicrobiana contra bactérias comuns em feridas.

5. Guaco (Mikania glomerata)

Tradicional para problemas respiratórios, o guaco é expectorante e broncodilatador. O xarope caseiro das folhas alivia tosse e asma. A Anvisa reconhece seu uso fitoterápico, mas alerta que a planta in natura pode conter cumarina em níveis tóxicos se consumida em excesso.

6. Sucupira (Pterodon emarginatus)

A semente da sucupira é usada em infusões para dores reumáticas e inflamações articulares. Estudos da Universidade Federal de Goiás (2016) apontam atividade anti-inflamatória comparável a anti-inflamatórios não esteroides, porém com menos efeitos gastrointestinais.

7. Chapéu-de-couro (Echinodorus grandiflorus)

Indicado para infecções urinárias e renais, o chapéu-de-couro tem ação diurética e antibacteriana. O chá das folhas é usado popularmente para limpar os rins. Pesquisas da Unicamp (2019) confirmam atividade contra bactérias como Escherichia coli.

8. Barbatimão (Stryphnodendron adstringens)

A casca do barbatimão é rica em taninos, com forte ação cicatrizante e antisséptica. É usado em feridas, úlceras cutâneas e corrimentos vaginais. Estudos da UFSC (2018) mostram que o extrato acelera a regeneração da pele em até 40%.

9. Quebra-pedra (Phyllanthus niruri)

Como o nome sugere, a quebra-pedra é usada para dissolver cálculos renais e tratar infecções urinárias. A planta inteira é usada em chá. A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui a espécie em sua lista de plantas medicinais com eficácia comprovada para litíase renal.

10. Algodoeiro-do-campo (Cochlospermum regium)

Também chamado de algodão-do-pantanal, sua raiz é usada em infusões para tratar inflamações ginecológicas e dores musculares. Pesquisadores da UnB (2020) identificaram compostos com atividade anti-inflamatória e analgésica no extrato da raiz.

11. Jatobá (Hymenaea courbaril)

A casca do jatobá é usada em chá para fortalecer o sistema imunológico e tratar anemias. A resina da árvore tem ação expectorante. Estudos da UFMT (2017) mostram que o extrato da casca possui compostos antioxidantes que protegem as células contra danos.

12. Sálvia-do-pantanal (Lippia alba)

A sálvia nativa do Pantanal é usada para acalmar nervosismo, insônia e cólicas menstruais. O chá das folhas tem efeito sedativo leve. Pesquisas da Embrapa (2022) indicam que o óleo essencial da planta contém citral e limoneno, com atividade ansiolítica.

Como usar essas plantas com segurança

Antes de consumir qualquer planta medicinal, consulte um profissional de saúde habilitado. Muitas espécies têm contraindicações para gestantes, lactantes ou pessoas com doenças crônicas. Prefira plantas de fontes confiáveis e evite colher em áreas próximas a agrotóxicos ou rodovias. O chá é a forma mais segura de uso, respeitando a dosagem de 1 colher de chá da planta seca por xícara de água.

Perguntas frequentes sobre plantas medicinais do Pantanal

Qual a planta medicinal mais comum no Pantanal?

A carqueja (Baccharis trimera) é uma das mais difundidas, encontrada em praticamente toda a planície pantaneira e usada para problemas digestivos.

As plantas medicinais do Pantanal são seguras?

Sim, quando usadas corretamente e com orientação. Algumas espécies, como o guaco e a erva-de-bugre, exigem moderação por possível toxicidade em altas doses.

Onde encontrar plantas medicinais do Pantanal para comprar?

Em feiras livres, lojas de produtos naturais e comércio online especializado. Prefira fornecedores que informem a origem e a data de colheita.

Quais plantas do Pantanal são usadas para emagrecer?

A erva-de-bugre e o chapéu-de-couro são as mais populares, mas nenhuma substitui uma dieta equilibrada e atividade física.

O chá de quebra-pedra realmente dissolve pedras nos rins?

Estudos indicam que os compostos da planta inibem a formação de cristais de oxalato de cálcio e facilitam sua eliminação, mas pedras grandes podem exigir tratamento médico.

Como identificar corretamente uma planta medicinal no Pantanal?

Leve um guia de campo impresso ou use aplicativos de identificação botânica. Nunca consuma uma planta sem ter certeza da espécie, pois muitas têm aparência semelhante a tóxicas.

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